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Israel quer ficar no sul do Líbano até chegada de tropas da ONU

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Data de Publicação: 17 de agosto de 2006
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No terceiro dia de cessar-fogo entre as forças de Israel e o grupo terrorista libanês Hizbollah, o chefe do Estado-Maior de Israel, general Dan Halutz, disse ontem, 16, que seus soldados devem permanecer do sul do Líbano até a chegada das tropas internacionais comandadas pela ONU, o que deve pôr fim à retirada de parte dos soldados israelenses que invadiram o país durante os confrontos - que duraram mais de um mês.

"Israel permanecerá no sul do Líbano até a chegada da força multinacional, mesmo que isso leve meses", disse Halutz, em declaração transmitida por rádio.

Na mesma linha, o líder do Hizbollah, xeque Hassan Nasrallah, disse que seus combatentes não interromperão os ataques contra as tropas israelenses que ocupam o sul do Líbano.

A ONU pediu reforços militares, pois a trégua estaria em risco se não chegarem os 15 mil soldados determinados pela resolução 1.701, que instaurou o cessar-fogo. Nenhum país assumiu um compromisso firme de enviar tropas até agora. O primeiro anúncio sobre as novas tropas deve ser feito só hoje.

Corpos - Ontem, mais de cem corpos foram retirados de diferentes pontos do Líbano que estão cobertos por escombros, inclusive na capital Beirute, segundo serviços de resgate da Cruz Vermelha.

Até agora, as buscas por corpos ainda não tiveram início nos vilarejos localizados na fronteira, região intensamente bombardeada por Israel e que provavelmente abriga grande número de corpos escondidos sob destroços. Em Beirute, os corpos de 13 pessoas [entre elas sete crianças e um bebê] apareceram sob as ruínas de um prédio atacado por aviões israelenses no último domingo, 13, na véspera do cessar-fogo.

O último balanço oficial de mortos divulgado na segunda-feira apontava 1.200 civis mortos no Líbano - cujo total descarta as vítimas presas sob os escombros. Em Israel, os mortos somam cerca de 200, a maioria militares. O conflito gerou ainda 1 milhão de deslocados e bilhões de dólares em prejuízos.

De acordo com informações de organizações humanitárias citadas pela agência de notícias Efe, a situação no sul do Líbano causa grande horror. Civis libaneses que conseguiram chegar a Aita al Shar [região na fronteira onde dois soldados israelenses foram seqüestrados por membros do Hizbollah, em 12 de julho - estopim da atual crise de violência] descreveram o local como uma paisagem desoladora, arrasada, onde nada ficou em pé.

No povoado de Ainata foram encontrados 17 corpos. Na cidade de Tiro, que permaneceu sitiada, um corpo apareceu num edifício de quatro andares, e outro em meio às ruínas de um centro comercial, informaram as fontes policiais.

Na mesma cidade, sob os escombros de um edifício, apareceu o corpo de uma jovem de 16 anos, segundo os serviços de proteção civil. Os grupos de resgate tentam retirar dos destroços do mesmo bloco de casas os corpos de três crianças e um adulto.

Na aldeia vizinha de Kafra, um casal foi encontrado sob os escombros. Também na região de Tiro, sete corpos foram achados na segunda-feira no centro de Srifa, que foi totalmente destruído. O prefeito da localidade disse que os depósitos de corpos estão completamente cheios.

Em Khiam, no setor leste da fronteira, o corpo do "mukhtar" (cargo equivalente ao de prefeito) foi retirado das ruínas de sua casa. Na localidade de Kafarchuba, tratores retiraram dos escombros os corpos de quatro combatentes do Hizbollah.

Força de paz - O governo dos EUA pediu nesta terça-feira à ONU que acelere os trâmites para o envio da força de paz internacional para o Líbano que terá a função de vigiar o cumprimento do cessar-fogo entre Israel e o Hizbollah.

A ONU espera mobilizar 3.500 soldados no sul do Líbano nos próximos dez ou 15 dias para consolidar o fim das hostilidades e para iniciar o processo de retirada israelense e o posicionamento do Exército libanês na região. Segundo o subsecretário da organização para Operações de Manutenção da Paz, Hedi Annabi, a ONU convocou uma reunião para amanhã, na qual será discutida a possível composição da tropa.

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