SENADORA HELOÍSA HELENA: UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL!
Neste meio milênio de existência registrada oficialmente do Brasil, o que houve de inusitado na esfera do poder, que se pode interpretar como uma verdadeira revolução sob o ponto de vista cultural e político, foi a eleição e posse de um líder operário como presidente da República. É evidente que a nossa “Queda da Bastilha” não ocorreu por acaso ou como num passe de mágica. É o resultado de um processo de conscientização política forjado em penosas jornadas pelo tempo afora; porém, essencialmente, nos movimentos populares que se opuseram à ditadura militar. Durante o percurso houve incontáveis baixas e para que o sol da liberdade voltasse a brilhar após longos períodos de obscurantismo, aviltou-se a dignidade humana com uma sucessão de atrocidades. Elas se materializaram desde a imposição do silêncio, através da censura covarde e insana, a horrores mais sádicos, a exemplo dos sacrifícios cruéis de heróis anônimos.
O Partido dos Trabalhadores foi a mais genuína e plural trincheira de resistência democrática. Não exigia atestado ideológico. A senha para acesso era o compromisso e o envolvimento na luta libertária, pressuposto fundamental para a edificação de uma sociedade próspera, solidária e justa. Lula era a expressão mais legítima e representativa desses ideais. Com o sonho da conquista de poder realizado, o governo petista fez, no entanto, as opções frontalmente opostas à doutrina e ao programa apresentados à Nação como diretrizes inarredáveis para viabilizar as transformações ansiosamente reclamadas.
A política econômica, enquanto se afastava progressivamente do socialismo democrático, principal bandeira do PT, aproximava-se cada vez mais do neoliberalismo que colocou o Brasil a um só tempo entre as maiores economias capitalistas e as que disputam o campeonato de pior distribuidora de renda da Terra.
Levantaram-se vozes discordantes dentro e fora do partido, nos parlamentos e nas praças públicas, interna e externamente. Mas a cúpula oficial do Partido dos Trabalhadores de então, cérebro do governo, foi contagiada pela praga da intolerância que passou a rondar o poder. Renegou suas origens e reagiu autoritariamente com a expulsão dos seus quadros de figuras históricas que valorizavam a legenda e honravam – como o fazem cada vez mais comovente e entusiasticamente – a política brasileira. Por mais incrível que seja, escolheram estrelas brilhantes – de quinta grandeza – num firmamento dominado por nuvens cinzentas de mediocridade e despudor.
Em contraposição, surgiram no Brasil e no exterior reações em solidariedade aos dissidentes do PT. Circularam na Internet abaixo-assinados contendo nomes de personalidades reconhecidas como o lingüista norte-americano Noam Chomsky e de militantes de esquerda da credibilidade do cineasta britânico Ken Loach, diretor de Terra e Liberdade, e Robin Blackbun, do conselho editorial da conceituada revista New Left Review.
Um dos documentos considerava que se fossem concretizadas as expulsões da senadora Heloísa Helena (AL) e dos deputados João Batista Araújo, o Babá, (PA), Luciana Genro (RS) e João Fontes (SE) se lançaria “uma terrível mensagem ao redor do planeta”, admitindo a capitulação do PT diante da falta de alternativa ao neoliberalismo. “Ela também vai indicar que o Partido dos Trabalhadores desistiu de sua tradição de democracia, pluralismo e tolerância.”
Não se tratou, por conseguinte, de um assunto paroquial. Rompeu tanto as fronteiras do partido, quanto o espaço político nacional. Transformou-se numa questão de respeito à liberdade, ao direito à preservação de valores, à lealdade a princípios, à manutenção de conceitos sobre ações organizadas em defesa da vida na sua plenitude, com dignidade, não como privilégio de minorias, mas como direito universal.
É assegurado às pessoas o livre arbítrio para mudar de concepção política, econômica, ideológica etc. Porém, elas não têm o direito de exigir a ninguém que siga o mesmo caminho. O PT nasceu pluralista, cresceu como instrumento de defesa da democracia. Jamais poderia restringir-se à visão de um grupo dominante, até porque estaria subordinado a interesses circunstanciais. Negaria a sua natureza e desvirtuaria a sua destinação histórica.
Os meios eletrônicos foram utilizados para manifestar apoio aos dissidentes petistas. Na nossa humildade, como cidadãos que, tão somente, cumpriram o dever de participar da resistência democrática e, também, na condição de eleitores de Lula, assinamos o manifesto. Sobretudo por considerá-lo um ato de justiça a quem apenas deseja se manter coerente com os seus ideais e com os próprios compromissos assumidos pelo PT. Por sinal, uma prerrogativa de todas as consciências lúcidas dessa Nação e de quantas sejam secularmente, ou por algum tempo, oprimidas, exploradas e traídas. E que, ainda assim, permanecem esperançosas de um destino enobrecedor, razão pela qual lutam para conquistar definitivamente a liberdade e o desenvolvimento em padrões sustentáveis e com justiça social.
É, acima de tudo, uma questão de honra do Partido dos Trabalhadores e, em última instância, da sociedade que aderiu às suas propostas, ao projeto de mudar o País, transformando-o de paraíso dos dominadores sequiosos de poder e riqueza, em verdadeiro gigante da própria natureza, Pátria amada de todos os brasileiros. Por tudo isso, está mais do que explicado porque a eleição de Lula foi o fato político nacional de maior repercussão no Mundo.
Se ele não correspondeu, que pena! Que desencanto! Que inversão desastrada de valores! Mas nós, que fizemos a nossa parte, vamos continuar insistindo! Repetiremos a dose de indignação, mas, também, de fé. Vislumbramos na candidatura à presidência da República da senadora Heloísa Helena – que ontem esteve em São Luís –, uma luz no fim do túnel, apesar de todos os opressores! Aqueles que, para acumular fortunas incalculáveis, exigem um imposto humanamente impossível de se continuar pagando: suor, sangue, sofrimento e lágrimas. Sacrifício de excluídos, vítimas do egoísmo, órfãos dos poderes constituídos, reféns indefesos da intolerância dos tiranos desalmados!
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A primeiro de outubro, o povo Brasileiro e, de modo especial, os conterrâneos maranhenses têm um compromisso com a Nação e com o seu Estado: não permitir que eles sejam conduzidos por quem, protegido, acobertado ou confiado na impunidade, não distinga a diferença entre os patrimônios público e privado. Por quem não dê satisfações convincentes sobre o paradeiro e a aplicação dos recursos oriundos da imensa carga tributária gerada coletivamente. Em nome das instituições republicanas, em respeito ao Estado Democrático de Direito, numa verdadeira demonstração de amor ao Brasil e, particularmente, ao Maranhão; pela felicidade geral, plena e irrestrita (urgentiíssima) dos seus filhos, consideremos todos um dever de consciência e de honra que se nos impõe: Exigir que, em lugar de cadeira, banco dos réus para os políticos safados. E, ao invés de palácios, cadeia para os corruptos!!! (othelinofilho@yahoo.com.br).