O BRASIL DE GETÚLIO
Rio - Agamenon Magalhães, José Américo e Gustavo Capanema conversavam com Getúlio em plena crise de agosto de 54:
- O senhor confia nos seus generais? E se passarem para o outro lado?
- Ora essa, eu também passo.
A política brasileira voltou ao Brasil de Getúlio. Não há partidos, há lados. Os institutos de pesquisa fizeram uma feijoada, um mapa geral da largada das campanhas para governador, nos 27 estados. Está muito longe, é tudo ainda muito no começo, mas serve para balizar as saídas e expectativas.
27 ESTADOS
Em números redondos, dos mais aos menos nas pesquisas, a lista é esta:
1. - Os de 60 - Minas: Aécio Neves (PSDB) 70, Nilmário Miranda (PT) 7. Espírito Santo: Paulo Artung (PMDB) 65, Sérgio Vidigal (PDT) 15. Mato Grosso: Blairo Maggi (PPS) 60, Antero Paes de Barros (PSDB) 20. Maranhão: Roseana Sarney (PFL) 60, Jakson Lago (PDT) 20.
2. - Os de 50 - Rondônia: Ivo Cassol (PPS) 55, Amir Lando (PMDB) 10. Mato Grosso do Sul: André Puccinelli (PMDB) 55, Delcidio Amaral (PT) 25. Bahia: Paulo Souto (PDF) 50, Jaques Wagner (PT) 15. Goiás: Maguito Vilela (PMDB) 50, Alcides Rodrigues (PP) 25. Brasília: José Roberto Arruda (PFL) 50, Maria de Lourdes Abadia (PSDB) 20.
3. - Os de 45 - São Paulo: José Serra (PSDB) 45, Aluisio Mercadante (PT) 15. Alagoas: João Lyra (PTB) 45, Teotonio Vilela (PSDB) 25. Pará: Almir Gabriel (PSDB) 45, Ana Julia Carepa (PT) 25. Paraíba: José Maranhão (PMDB) 45, Cássio Cunha Lima (PSDB) 40. Amapá: João Capiberibe (PSB) 45, Waldez Góes (PDT) 35. Ceará: Lúcio Alcântara (PSDB) 45, Cid Gomes (PSB) 35. Sergipe: Marcelo Deda (PT) 45, João Alves (PFL) 35. Tocantins: Siqueira Campos (PSDB) 45, Marcelo Miranda (PMDB) 40. Rio Grande do Norte: Garibaldi Alves (PMDB) 45, Wilma Faria (PSB) 35.
4. - Os de 40 - Rio: Sérgio Cabral (PMDB) 40, Marcelo Crivela (PRB) 20. Roraima: Ottomar Pinto (PSDB) 40, Romero Jucá (PMDB) 20. Paraná: Roberto Requião (PMDB) 40, Osmar Dias (PDT) 25. Piauí: Wellington Dias (PT) 40, Mão Santa (PMDB) 40. Amazonas: Amazonino (PFL) 40, Eduardo Braga (PMDB) 40. Acre: Binho Marques (PT) 40, Marcio Bittar (PPS) 35. Santa Catarina: Luis Henrique (PMDB) 40, Espiridião Amin (PP) 30.
5.- Os de 35 - Pernambuco: Mendonça Filho (PFL) 35, Humberto Costa (PT) 15. Rio Grande: Germano Rigotto (PMDB) 30, Olívio Dutra (PT) 25.
O PERFUME
Quem tem lucro de R$3 bilhões, em um semestre apenas, fica à beira da loucura. Mas o banqueiro Olavo Setúbal, do Itaú, ainda raciocina e acerta:
- "O governo Lula acabou sendo extremamente conservador. O sistema financeiro estava tensionado, mas como Lula ficou conservador, agora está para ganhar novamente a eleição e o mercado está tranqüilo. Ele foi mais conservador do que eu esperava" ("Folha").
Os antigos sabiam: - a senzala não resiste ao perfume da casa grande.
A ÉTICA
Lula disse que não quer saber de "historinha de ética". O ministro Thomaz Bastos dar a ele ao menos uma definição simples, de botequim:
- "Ética: - ciência dos costumes ou dos atos humanos e seu objeto é a moralidade, a caracterização desses atos como bem ou mal. O dever, em geral, é objeto da ética. Normalmente é sinônimo de moral. Do latim "mos, moris", costume" ("Dicionário de Ciências Sociais FGV-MEC).
Quem não quer saber de ética não quer saber de moral. É por isso que ele desfila com Newton Cardoso, reúne-se toda semana com Jader Barbalho no palácio da Alvorada e diz que "a ética é total e absoluta no governo". Até Ferreira Gullar, sempre muito tolerante com ele, perdeu a paciência:
- "A falta de escrúpulos sempre foi uma característica de Lula e do PT. Tentando tapar o sol com a peneira, Lula afirmou que a culpa do mensalão não cabe nem aos mensaleiros nem ao PT. E, no auge da desfaçatez, declara: - "Vamos ter ousadia para defender a ética neste país". É muita ousadia mesmo".
A INTELIGÊNCIA
Na "Folha", o Plínio Fraga diz que "é assustador o silêncio da intelectualidade perante a conjuntura politico-eleitoral. Está faltando a manifestação inconveniente, alguém que suba na mesa para desnudar o rei, que agora acha que ética é uma historinha".
Eis ai uma bela pauta que o Fraga devia propor à "Folha": fazer um levantamento, no ministério da Educação, de quantos milhões (sic) de livros "a intelectualidade" vendeu aos governos de Fernando Henrique e de Lula. Foram exatamente os arroz de festa da cultura nacional, a turma que mais gritava, mais discutia nos jornais e seminários. De repente, calaram-se todos.
Foi o milagre dos livros vendidos e comprados. Um deles, dos mais ásperos e badalados, segundo a "Veja", em matéria de capa, vendeu ao governo, em um só ano, 3 milhões (três milhões) de exemplares de livros dele e ficou mansinho como um cordeiro de papel, daqueles de presépio de interior.
Artistas, cineastas, músicos, produtores, no ministério da Cultura, são outro capitulo. E pior ainda, porque o dinheiro é muito mais "a-gil-izado".
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