PSOL e PSTU realizam ato de repúdio à oligarquia Sarney
A candidata do PSOL à Presidência da República, senadora Heloísa Helena, realizou uma caminhada, ontem à tarde, no centro de São Luís, que acabou se transformando num ato público de repúdio à oligarquia Sarney. Os militantes do PSOL e do PSTU fizeram uma grande recepção para Heloísa Helena, e lotaram a praça Deodoro, num comício que reuniu os principais representantes da Frente de Esquerda. Os candidatos a governador do PSOL, professor Saturnino, e do PSTU, Marcos Silva, fizeram duras críticas à candidata do PFL, senadora Roseana Sarney.
"Para a Presidência da República, Heloísa Helena é a melhor candidata. Mas não basta ser mulher, porque, no Maranhão, Roseana representa a corrupção, a roubalheira e a burguesia mais atrasada do Brasil", afirmou o professor Saturnino. Em seu discurso, Marcos Silva salientou que Roseana foi uma tragédia para o Estado, porque governou durante quase oito anos contra os interesses da classe trabalhadora. "Roseana vendeu as empresas públicas, privatizou o Banco do Estado, destruiu a agricultura, a saúde e a educação e agora, na maior cara de pau, quer voltar a ser governadora", declarou Marcos Silva.
No mesmo tom, os candidatos a senador Chico Matos (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU) condenaram os desmandos da oligarquia Sarney. "Roseana tenta, mais uma vez, enganar o povo do Maranhão. Mas ela vai ser desmascarada. Vamos denunciar esta oligarquia, responsável pelo latifúndio, pela grilagem de terras, pelo aumento do analfabetismo, da fome e da miséria que grassam em nosso Estado", afirmou Ramon Zapata.
Antes de participar do comício na Deodoro, Heloísa Helena ganhou abraços, flores, posou para fotos, distribuiu autógrafos e concedeu uma rápida entrevista à imprensa. Acompanhada de uma multidão, ela seguiu em caminhada desde a praça João Lisboa e atravessou a rua Grande. Na entrevista à imprensa, Heloísa lamentou o exíguo tempo que terá na propaganda eleitoral gratuita de rádio e TV e destacou a necessidade da reforma política. Heloísa terá cerca de um minuto, nos quais, garantiu ela, fará "o milagre" de expor suas propostas para o Brasil "sem deixar de fazer a necessária condenação à roubalheira e à corrupção".
Heloísa Helena teceu críticas tanto ao presidente Lula quanto ao candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, dizendo que está realizando uma campanha extremamente desigual em relação às campanhas do "picolé de chuchu" e o "rei da abobrinha". Para ela, o mais importante é perseguir o sonho de ajudar a construir uma sociedade socialista. "O socialismo é a mais bela das lições de amor à humanidade".
A candidata do PSOL também frisou a necessidade de uma política justa de cobrança de impostos. Segundo ela, enquanto a dona de casa paga 48% de imposto ao comprar um quilo de açúcar e 52% ao comprar um lápis e se paga CPMF por cada cheque emitido, o banqueiro não paga imposto de renda e nem CPMF. Ela informou que já foram usados R$ 720 bilhões "para encher a pança dos banqueiros". Só de juros da dívida foram R$ 190 bilhões. "Mas onde está escrito que não se pode tirar 10% deste valor para garantir uma bela educação pública e investir em ciência e tecnologia?". Para mudar o país, disse Heloísa Helena, é preciso que cada um que declarou sua intenção de voto consiga mais dois votos. "Assim chegaremos a 33% e iremos para o segundo turno".
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