João Alberto pode arquivar processos contra três senadores 'sanguessugas'Repercussão na Folha de São Paulo
A postura do candidato a vice de Roseana Sarney repercutiu também nas agências de notícia, sendo destaque na Folha On Line, do jornal Folha de São Paulo, em matéria assinada pela jornalista Gabriela Guerreiro, de Brasília
Eis a íntegra da matéria disponibilizada na agência Folha:
“O presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto (PMDB-MA), assumiu ontem postura defensiva em relação ao envolvimento de três senadores na máfia das ambulâncias. João Alberto afirmou que vai analisar as provas contra cada senador antes de decidir sobre a abertura dos processos.
“Não vamos tomar o mandato de um senador por um crime que ele não cometeu. Mas se cometeu, estou pronto a cortar na própria carne”, disse.
O senador sinalizou, no entanto, que pode arquivar os processos antes de submetê-los ao Conselho de Ética. Ele afirmou que não acredita nas palavras do empresário Luiz Antonio Vedoin, acusado de chefiar o esquema de fraudes na compra de ambulâncias, que incluiu o nome dos três senadores entre os envolvidos no esquema. “Eu não aceito a palavra dele como prova. É um bandido.”
O regimento do Senado Federal permite ao presidente do Conselho indeferir os processos se considerar que não há provas suficientes para decretar o início das investigações.
Os três senadores acusados de envolvimento com a máfia da ambulâncias já foram notificados pelo Conselho sobre os processos de cassação recomendados pela CPI dos Sanguessugas. Os senadores Ney Suassuana (PMDB-PB) e Serys Slhessarenko (PT-MT) receberam hoje a notificação por fax. Já o senador Magno Malta (PL-ES), que passou o dia no Senado Federal, foi notificado pessoalmente.
Renúncia – João Alberto negou que pretenda renunciar o cargo de presidente do Conselho por ser do mesmo partido de um dos acusados, o senador Ney Suassuna. “Não tenho nenhum motivo para me afastar. Tive no Conselho inúmeras denúncias de todos os partidos, e até hoje não fui questionado”.
O senador também negou que tenha recebido pressões dos três colegas para não levar adiante os processos. “Eu não vou me açodar por pressão. A minha consciência vai julgar as minhas ações”, afirmou.
João Alberto disse que concedeu o prazo de três dias úteis para que os acusados apresentem defesa, tempo menor que o habitualmente oferecido pelo Senado, que é de cinco sessões plenárias. A expectativa do senador é que, se os processos forem instaurados, em trinta dias as investigações sejam finalizadas.
Segundo João Alberto, o senador Alberto Silva (PMDB-PI) vai assumir no Conselho a vaga aberta com a renúncia de Ney Suassuna. Já a vaga de Serys Slhessarenko permanecerá em aberto, já que a senadora é apenas suplente no Conselho”.
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