A Ufma (Universidade Federal do Maranhão) apresenta ao público leitor hoje, às 18h, a “Coleção Teses e Dissertações”, com o lançamento de cinco livros de autoria de professores do Departamento de História. A iniciativa é a materialização do esforço que vem sendo empreendido nos últimos anos pelos professores do departamento com o objetivo de abrir novos horizontes para a pesquisa histórica estadual, e é também a continuidade de um plano editorial iniciado recentemente, que já lançou Memória de Professores: histórias da UFMA e outras histórias, organizado pela professora Regina Faria, e História do Maranhão: novos estudos, coletânea de onze artigos reunidos por um dos autores, o professor Wagner Cabral.
A difusão do protestantismo no estado no início do período republicano; a transformação econômica de famílias da elite escravocrata maranhense no século XVIII; entrada da mulher no mercado de trabalho no início do século passado; o mito da Atenas brasileira e a estética formulada pela elite letrada ante a decadência material; a reação do bloco oposicionista ao “vitorinismo”, representada pela “greve de 51”, e as origens do “sarneísmo”, são os temas abordados pelos cinco autores.
O professor Lyndon de Araújo Santos, ao falar da importância da coleção de publicações para a classe acadêmica, intelectuais e estudantes, lamentou a “falta de políticas públicas” para a área de pesquisa histórica. “A diversidade de temas, bem como as diferentes abordagens, demonstra o quanto é necessária e urgente a pesquisa histórica no Maranhão, um estado sem memória em um país de fraca e escassa memória, cuja política de preservação e acrescentamento de seu patrimônio histórico e cultural é inconsistente”, disse.
Oligarquia e oposição – Com título Sob o signo da morte: o poder oligárguico de Vitorino a Sarney, dissertação de mestrado defendida na Universidade de Campinas (Unicamp), Wagner Cabral levanta um tema que está na ordem do dia: a reação das oposições ao sistema oligárquico de manutenção do poder. Em seu trabalho, concluído em 2002, e só agora publicado em livro, Wagner Cabral analisa o panorama da política estadual no período que vai de 1945 a 1970, onde discute a trajetória das “Oposições Coligadas”, frente heterogênea formada para combater a hegemonia política do “vitorinismo”. O trabalho de Cabral destaca dois períodos: a revolta popular conhecida como “greve de 51”, reação contra a fraude eleitoral, e a vitória oposicionista nas eleições de 1965, com o apoio da ditadura militar, que levaria José Sarney ao poder, possibilitando “o nascimento de uma nova oligarquia em substituição à outra”.
Os cinco autores são professores com atividade docente no Departamento de História da Ufma. “Mas, mesmo em se tratando de teses defendidas em cursos de mestrado e doutorado, os livros têm linguagem acessível ao público em geral, constituindo assim uma excelente oportunidade para o leitor maranhense obter cultura e informação especializada sobre o estado”, disse a professora Antonia da Silva Mota, autora de um dos livros.
O lançamento ocorrerá no Palácio Cristo Rei, sede da reitoria da UFMA, na Praça Gonçalves Dias (Centro), a partir das 18h. Os livros e seus autores;
• As outras faces do sagrado: protestantismo e cultura na Primeira República Brasileira, de Lyndon de Araújo Santos (Doutor em História) – Analisa do processo de difusão do protestantismo no Maranhão, a partir de fins do século XIX e suas conseqüências sobre os costumes da sociedade local, com os conflitos de ajustamentos advindos com a “nova” religião, que representava a “modernidade” da época.
• Família e fortuna no Maranhão Colônia, de Antonia da Silva Mota (Mestre em História) – Análise das transformações ocorridas na estrutura e nos níveis de fortuna das famílias maranhenses ao longo do século XVIII, sob o impacto da inauguração do sistema agro-exportador escravista e as políticas de fomento do Marquês de Pombal.
• Nos fios da trama: Quem é essa mulher? Cotidiano e trabalho do operariado feminino em SãoLuís na virada do século XX, de Maria da Glória Guimarães Correia (Doutora em História) – Em São Luís do Maranhão, na virada do século XX, um conjunto de fábricas se instalam e entre os que se engajam nos seus serviços, as mulheres constituem a maioria. As condições de vida e de trabalho e o universo simbólico destas que se tornam visíveis na sociedade são o ângulo da abordagem da autora.
• Operários da saudade: os novos atenienses e a invenção do Maranhão, de Manoel de Jesus Barros Martins (Mestre em História) – O livro, que estuda a geração de intelectuais que fundou a Academia Maranhense de Letras (AML), com Antonio Lobo, Nascimento Moraes, e outros, é uma análise das representações formuladas pela elite letrada maranhense acerca dos processos de decadência material e de renovação cultural presentes na produção intelectual dos novos atenienses, onde analisa a recorrência do discurso da decadência e do mito da Atenas Brasileira como elementos basilares das imagens sobre o Maranhão.
• Sob o signo da morte: o poder oligárquico de Victorino a Sarney, de Wagner Cabral da Costa (Mestre em História) – É o estudo do panorama político do Maranhão no período 1945/1970 e discute a trajetória das oposições coligadas, frente heterogênea formada para combater a hegemonia política do “vitorinismo” no Estado. São destacados dois momentos: o movimento popular conhecido como “greve de 1951” (contra a fraude eleitoral) e a vitória oposicionista. Nas eleições de 1965, com o apoio da ditadura militar. O livro procede à análise dos imaginários sociais formulados, reformulados e manejados pelas oposições, com ênfase às representações sobre o Maranhão, os maranhenses e sua identidade cultural.