O Exército israelense planeja retirar seus soldados do sul do Líbano em um período de sete a dez dias e deve entregar algumas de suas posições mais avançadas para tropas da ONU no prazo de 48 horas, informaram ontem, 15, autoridades de Israel.
O cronograma acelerado reflete as crescentes preocupações de que as forças israelenses possam se tornar alvos fáceis para o grupo terrorista libanês Hizbollah em caso de demora na desocupação.
O chefe do Estado-Maior israelense, Dan Halutz, declarou ontem que a transferência da área controlada pelo Exército de Israel no sul do Líbano ao Exército libanês será realizada em até dez dias.
"Os princípios [do acordo de cessar-fogo] começaram a se concretizar ontem. Isso significa a transferência do controle do terreno aos capacetes azuis da Unifil [Força Interina das Nações Unidas no Líbano], e depois da Unifil ao Exército libanês", declarou Halutz à rádio militar.
"Se tudo transcorrer com calma, como parece que está acontecendo, este processo deverá durar entre uma semana e dez dias".
Apesar da proposta, ainda estão pendentes questões como a composição, o tamanho e o mandato da força das Nações Unidas que deve ser enviada ao sul do Líbano para preservar a frágil trégua decretada.
Autoridades israelenses citadas sob a condição de anonimato pela agência Reuters informaram que algumas posições não consideradas como estratégicas ou cruciais pelo Exército podem ser ocupadas na quarta e quinta-feira por membros da Unifil, que já registra uma pequena presença no país árabe.
O ministro da Defesa do Líbano, Elias Murr, afirmou que 15 mil soldados libaneses devem estar do lado norte do rio Litani [situado a cerca de 20 km da fronteira entre Israel e Líbano] até o final desta semana. Apesar disso, o contingente ainda tem que cruzar o rio e tentar se impor sobre as forças do Hizbollah pela primeira vez em anos.
As Nações Unidas tentarão enviar mais tropas da força de paz para o Líbano "o mais rápido possível", afirmou Kofi Annan ontem à emissora israelense de TV Canal 2.
O secretário-geral da ONU indicou que o processo de cumprimento dos termos da resolução de trégua do CS, aprovada na sexta-feira, 11, pode levar semanas ou mesmo meses.