Sem meias palavras, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) mirou ontem sua artilharia em direção ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Gabeira acusou Renan de integrar uma “quadrilha” ao lado de outros membros do PMDB. Em rápido pronunciamento durante sessão administrativa da CPI dos Sanguessugas, o deputado disse que o senador dificultou a criação e os trabalhos da comissão ao impor resistências para a instalação da CPI.
”As principais resistências nós quebramos: as do presidente do Senado e do seu grupo do PMDB, a quem eu chamo de quadrilha”, afirmou Gabeira. O presidente do Senado disse que demonstrou “total isenção” em todas as etapas dos trabalhos da CPI. “Fui isento não apenas nessa, mas em todas as investigações realizadas pelo Congresso. Eu sempre disse que, se houvesse fato determinado, haveria CPI”, disse.
Em maio, antes da instalação da CPI dos Sanguessugas, Renan sinalizou ter pouca disposição para instalar a comissão. Na época, o presidente do Senado disse que o esquema de desvio de recursos do Orçamento para a compra de ambulâncias superfaturadas já estava sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.
Mas a pressão externa e de parlamentares fez com que Renan mudasse de idéia: diante de assinaturas que apoiavam a criação da CPI, ele acabou cedendo e autorizando a instalação da comissão. Da mesma forma reagiu o presidente da Câmara, Aldo Rebelo.
Gabeira também criticou a burocracia do Congresso Nacional para a continuidade das investigações sobre os 72 parlamentares acusados de envolvimento na máfia dos sanguessugas. Diante do baixo quórum registrado hoje na CPI, com apenas sete parlamentares presentes no plenário, ele criticou a lentidão dos trabalhos, já que a maioria dos deputados e senadores está fora do Congresso em campanhas eleitorais. ”Não podemos nos apegar a regras. Temos que trabalhar. Os adversários vão usar a burocracia para dificultar nossos trabalhos, mas nós temos condições de mudar o Congresso”, disse Gabeira.