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70% dos casos já têm cura
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70% dos casos já têm cura

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Data de Publicação: 16 de agosto de 2006
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LEUCEMIA

Jocicley Oliveira tem 16 anos, mas, mesmo com tão pouca idade já conhece o que é estar na linha de batalha entre a vida e a morte. E ele venceu! No final do ano passado, após cinco anos de tratamento, o jovem recebeu a notícia que tanto esperava: estava curado! Até o final da década de 80, essa realidade só atingia 30% dos casos de câncer infantil registrado no país. Hoje, a boa notícia da cura já é dada a 70% dos pacientes infantis que se submetem ao tratamento.

No caso de Jocicley, a descoberta da doença aconteceu quando ele tinha 11 anos. O diagnóstico apontava uma leucemia linfóide aguda (tipo mais comum entre crianças), e uma das mais graves. Feito o diagnóstico começou a luta contra a doença. Família, médicos e amigos começaram a mobilização numa espécie de operação de guerra que foi coroada com um final feliz em 2005 com a notícia da cura. "Foi como se eu estivesse renascendo", explicou o estudante.

Tipo mais comum entre os casos de câncer infantil, a leucemia é a denominação que se dá para diversos tipos de câncer originados nos tecidos que produzem o sangue, na medula óssea. É uma doença maligna dos glóbulos brancos (leucócitos), que tem como principal característica o acúmulo de células jovens anormais na medula óssea, que substituem as células sanguíneas normais. A medula é o local de formação dessas células, ocupa a cavidade dos ossos e é conhecida popularmente por tutano.

Os principais sintomas da leucemia decorrem do acúmulo dessas células na medula óssea, prejudicando ou impedindo a produção dos glóbulos vermelhos (causando anemia), dos glóbulos brancos (causando infecções) e das plaquetas (causando hemorragias). Depois de instalada, a doença progride rapidamente, exigindo que o tratamento seja iniciado logo após o diagnóstico e a classificação da leucemia.

O tratamento primário da leucemia aguda é a quimioterapia, ainda que a radioterapia seja usada em certos casos e o transplante de medula.

O progresso no desenvolvimento do tratamento do câncer na infância foi espetacular nas últimas quatro décadas. Atualmente, 70% das crianças acometidas de câncer podem ser curadas, se diagnosticadas precocemente e tratadas em centros especializados. A maioria dessas crianças terá vida praticamente normal. Em nosso meio, muitos pacientes ainda são encaminhados ao centro de tratamento com doenças em estágio avançado, o que se deve a vários fatores: desinformação dos pais, medo do diagnóstico de câncer (podendo levar à negação dos sintomas), desinformação dos médicos. Mas algumas vezes também está relacionado com as características de determinado tipo de tumor.

O Instituto Maranhense de Oncologia Aldenora Bello, referência no Estado no tratamento do câncer, contabiliza 31 crianças com a doença, das quais 22 estão com leucemia. "Não existe nada que comprove que as crianças têm mais leucemia que os adultos. O certo é que elas dificilmente desenvolvem outro tipo de câncer", explicou o diretor médico do Instituto Maranhense de Oncologia Aldenora Bello (Imoab), Antônio Borba.

A boa notícia é que casos como o de Jocicley também estão se tornando menos raros. Um dos motivos do aumento no índice de cura também é o fato de os pais estarem descobrindo a doença mais cedo, e levarem a sério o tratamento.

"Antes de construirmos a Casa de Apoio Criança Feliz para abrigar pacientes infantis vindas do interior do estado o índice de mortalidade era bem maior. Os pais traziam a criança para fazer os exames, iniciavam o tratamento, mas não tinham condições de se manter na capital durante o período de tratamento. Agora, com o apoio que damos a eles, o tratamento é levado até o fim e o índice de cura acaba aumentando", orgulhou-se Enide Jorge Dino, presidente da Fundação Antônio Jorge Dino, que mantém o Imoab, a Casa de Apoio Criança Feliz, além de outras unidades operacionais ligadas ao combate ao câncer no Estado.

No próximo dia 26 de agosto, a Casa de Apoio Criança Feliz será uma das 63 entidades brasileiras a serem beneficiadas com a campanha McDia Feliz, coordenada pelo Instituto Ronald McDonald, financiador de ações de pesquisa e combate ao câncer infanto-juvenil em todo o mundo.

Neste dia, quem comprar o sanduíche mais popular da rede de lanchonetes McDonalds, o Big Mac, vai contribuir para a luta contra o câncer infanto-juvenil em todo o mundo. "Campanhas como essa nos ajudam a lutar todos os dias para que mais crianças recebam o diagnóstico de cura", disse Enide Dino.

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