A empáfia de Roseana Sarney
Em que pese a contundência da denúncia e a prova material inquestionável de abuso de poder, a candidata do PFL ao governo do Maranhão, senadora Roseana Sarney, não dá mostras de preocupação com a representação movida contra ela, no TRE/MA, pelo tucano Aderson Lago. Ao contrário, permanece impávida, desfilando sua arrogância pelo interior do Maranhão, pregando aos quatro cantos a sua promessa de “reconstruir” (sic) o Estado.
O leitor menos atento poderia até se perguntar: em que se sustenta a aparente serenidade de Roseana Sarney? A resposta, de tão óbvia, chega a ser ululante. Não há dúvida de que a senadora se apoiou na força do sobrenome para mandar imprimir na gráfica do Senado cartilhas do Estatuto do Idoso e distribuir, às carradas, na praia de São Marcos. Assim como está claro que Roseana Sarney confia na força do pai para livrá-la de uma cassação iminente.
A história recente fornece uma ambigüidade que pode ser usada para o bem ou para o mal, segundo a ótica de cada um. O senador João Capiberibe e sua mulher, Janete (deputada federal), ambos desafetos de Sarney no Amapá, perderam o mandato por decisão judicial, sob a alegação singela de que teriam comprado dois votos ao preço de R$ 26,00, cada um. Não havia prova material contra eles, apenas o relato de testemunhas.
Para muitos, a decisão, tida como exagerada, apenas comprova o peso da mão de Sarney nos tribunais. Para outros, o episódio reflete o rigor da lei eleitoral e serve como um sinal de alerta àqueles que não sabem distinguir o público do privado e tratam eleição como um imenso balcão de negócio.
Roseana Sarney, ao que tudo indica, joga suas fichas na impunidade. Mas é bom abrir os olhos. Sarney, com toda a sua teia de influência, não conseguiu – ou não achou conveniente – tirar o nome do seu afilhado, César Bandeira, da lista dos parlamentares acusados de desviar dinheiro na máfia das Sanguessugas. É que na retaguarda da investigação havia uma opinião pública vigilante.
O que dá o tom de rigor nos julgamentos não é necessariamente o diploma legal, mas a energia e o desejo de fazer justiça por traz de quem aplica a lei. A Justiça Eleitoral do Maranhão tem em seu quadro juízes corretos, bem intencionados e ávidos por demonstrarem independência política. A senadora não perde por esperar. Aliás, ontem mesmo a Justiça Eleitoral, num primeiro passo, já decidiu proibi-la de distribuir a tal cartilha. Bom sinal.
Sobre pesquisas (1)
O deputado Domingos Dutra (PT) bateu duro na pesquisa do Ibope para o governo do Maranhão. “Quanto mais Aderson, Jackson e Vidigal fazem campanha, mais Roseana Sarney cresce? Não é possível. É uma tentativa de nos fazer de besta”, soltou a língua
Para o petista, há uma clara intenção de manipular a vontade do eleitor. Segundo ele, ao colocarem Roseana Sarney num patamar de votos elevado, esses levantamentos acabam por induzir uma quota de eleitores indecisos a votar nela.
“Pelo andar da carruagem, ela vai chegar no dia das eleições com 200% de intenção de voto”, ironizou da tribuna da Assembléia.
Sobre pesquisaa (2)
Dutra, que tem viajado pelo interior do Estado na companhia do candidato do PSB, Edson Vidigal, disse que não há, da parte do eleitor, um grau de entusiasmo que justifique esse apoio a Roseana Sarney.
“Em Caxias ela nem conseguiu fazer carreata. Em Gonçalves Dias, foi só uma muquequinha de gente. Como é que ela tem 70% de intenção de voto?”, questionou.
Essa também é a pergunta que todos desejam ver esclarecida.
PQD: só elogios
O governador José Reinaldo foi alvo de elogio do deputado Pavão Filho, pela iniciativa de isentar os alunos do PQD da Uema do pagamento de mensalidades até o final do ano:
- “O governador foi muito sensível a essa questão. Eu quero parabenizá-lo”, disse da tribuna. A medida beneficia 16.200 alunos. Para garantir a gratuidade, o governo está repassando à Uema cerca de R$ 5 milhões.
Os alunos do PQD são professores da rede estadual, recrutados por meio de processo seletivo.
Lagoa da Jansen
O horário político eleitoral começou mal para a candidata do PFL, senadora Roseana Sarney.
No programa reservado aos deputados federais, a coligação encabeçada pelo PSB mostrou o contraste social criado por Roseana Sarney depois da urbanização da Lagoa da Jansen, obra que resultou em luxo e, por outro lado, deixou os moradores da redondeza com problemas de saneamento e sujeira.
É um tema sempre recorrente.
Casas de taipa
Quem também não foi poupado das críticas no primeiro dia de propaganda eleitoral foi o senador João Alberto (PMDB), candidato a vice-governador na chapa de Roseana Sarney (PFL).
O horário do PSB mostrou a revolta de pessoas humildes contra uma declaração infeliz do senador dando conta que os pobres moram em casa de taipa no Maranhão porque gostam.
- “Então manda ele nos dar a mansão dele e vir morar aqui na casa de taipa”! propôs uma das pessoas ouvidas.
Sanguessuga, não
O deputado federal César Bandeira (PFL) está enfrentando problemas para aparecer na propaganda da coligação encabeçada pela senadora Roseana Sarney (PFL).
É que os marketeiros dela não vêem com bons olhos a aparição de Bandeira no horário eleitoral, pelo fato dele ser o único parlamentar envolvido no esquema da “máfia das ambulâncias” ou dos “sanguessugas”.
Ontem, o deputado Pedro Novais ocupou o tempo de propaganda e soltou essa: “Chega de sanguessugas!!!”. Aí, o tempo fechou.
De galho em galho
O presidente estadual do PV, Washington Rio Branco, apareceu ontem na propaganda eleitoral “jurando” que “não pula de galho em galho”.
Mas para quem não sabe, Washington já esteve com o ex-prefeito Jackson Lago, com Tadeu Palácio, com José Reinaldo na eleição passada e agora, via Zequinha, “pulou” para os braços da senadora Roseana Sarney (PFL).
E olha que ainda tem muito “galho” aí pela frente.
MIUDINHAS
Os programas eleitorais do Maranhão apareceram ontem com legendas. Mas a exigência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é para que seja adotado um tradutor aos deficientes auditivos. Isso porque boa parcela não sabe ler.
O deputado Sebastião Madeira (PSDB) lembrou ontem, no horário eleitoral, que a ex-governadora Roseana Sarney (PFL) fez um mal tremendo à agricultura e aos produtores do Estado.