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Morte de homem por pistoleiro pode ter sido 'queima de arquivo'

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Data de Publicação: 15 de agosto de 2006
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POR OSWALDO VIVIANI

‘MÁFIA DAS ATPFs’

Aguinaldo Nunes Galheiro era um ‘mateiro’ – especialista em identificar espécies de árvores para empresas que preparam a documentação exigida pelo Ibama para autorizar desmatamentos

O assassinato de Aguinaldo Nunes Galheiro, de 39 anos, na noite de sexta-feira, por um pistoleiro que estava na garupa da motocicleta que o próprio Aguinaldo conduzia, pode ter sido uma operação de “queima de arquivo” encomendada pela “máfia” especializada em roubar e comercializar autorizações de transporte de produtos florestais (ATPFs) em Imperatriz e região.

A hipótese é uma das principais linhas de investigação adotadas pelo delegado Carlos César de Andrade, titular do 3º Distrito Policial (Vila Nova), responsável pela apuração do caso, uma vez que Aguinaldo Galheiro trabalhava numa empresa que prestava serviços para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

De acordo com gerente do Ibama-Imperatriz em exercício, Paulo Roberto Almeida, Aguinaldo era um “mateiro”, ou seja, um especialista em identificar espécies de árvores para empresas que preparam toda a documentação exigida pelo órgão para autorizar desmatamentos.

A polícia afastou completamente a hipótese de que o crime tenha sido latrocínio (roubo seguido de morte), pois nada foi levado da vítima.

Roubo frustrado – Na madrugada do último dia 3, a sede do Ibama em Imperatriz foi invadida por três homens, mais tarde identificados como os soldados Edílson da Silva Rodrigues e Rui Dglan Abreu Reis, e o cabo Pedro Ferreira Macaro, lotados na 5ª Companhia Independente da Polícia Militar, de Açailândia.

Segundo a polícia, Edílson, Rui Dglan e Pedro pretendiam roubar as ATPFs guardadas no órgão. O soldado Edílson, de 33 anos, morreu na ação, depois de receber um tiro no abdômen, disparado pelo vigilante que trabalhava à noite no Ibama, Jeová Bonfim Cardoso (que também foi baleado e sobreviveu).

Os outros dois policiais militares foram presos. Um quarto homem, ainda foragido, identificado apenas pelo prenome de Alexandre, também participou da ação frustrada.

Prefeito envolvido – Baseada em informações levantadas por seu serviço velado, a Polícia Militar de Açailândia teria apurado que Márcio Roberto do Nascimento, residente no bairro de São Francisco (Açailândia), seria o homem que teria encomendado as ATPFs que seriam roubadas do Ibama-Imperatriz.

Policiais disfarçados montaram uma “campana” perto da casa de Márcio, até que este saiu da casa e entrou no carro do prefeito de Itinga do Maranhão, Francisco Valbert Ferreira de Queiroz (PP), o “Quininha”.

A Força Tática da PM açailandense interceptou o veículo na BR-010, quando este se dirigia para Itinga, retirou Márcio do carro e o conduziu à Delegacia Regional, onde ele assumiu o compromisso de comparecer à Polícia Federal para prestar depoimento, o que já fez.

O prefeito “Quininha”, em entrevista ao Jornal Pequeno, na semana passada, negou qualquer envolvimento com a “máfia das ATPFs” e afirmou que apenas deu “uma carona” a Márcio Nascimento, por ele ser seu conhecido de longa data.

Morto pelo ‘garupa’ – Aguinaldo Nunes Galheiro foi assassinado por volta das 21h da última sexta-feira, 11, no bairro Jardim São Luís, próximo à subestação da Cemar. Ele foi atingido com cinco tiros, disparados por um homem que, de acordo com testemunhas, vinha na garupa da moto Honda (placa HPK 0557) que a própria vítima conduzia.

Aguinaldo foi atingido na cabeça, no abdômen e na região lombar. O pistoleiro fugiu utilizando a moto de Aguinaldo, que ficou agonizando no local.

No sábado, a motocicleta Honda foi encontrada por um vigilante, às margens da BR-010 (Belém-Brasília). Ela estava debaixo de uma carreta, diante do depósito de uma loja. O vigia viu a moto, e como ninguém apareceu para pegá-la, ligou para a Polícia Militar.

A moto foi levada para o pátio da delegacia 10ª Delegacia Regional de Imperatriz, na rua Souza Lima, onde será periciada e fará parte do inquérito que foi aberto para investigar o assassinato de Aguinaldo Nunes Galheiro.

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