O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) insinuou ontem que o seqüestro do jornalista da TV Globo, Guilherme Portanova, pode estar relacionado à entrevista que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu à emissora na semana passada. ACM considerou “estranho” a ação contra a TV Globo ter ocorrido dias após Lula ter sido duramente questionado sobre denúncias de corrupção em seu governo. “Estou admitindo a coincidência. Depois dessa entrevista fracassada do Lula, o repórter é seqüestrado. Pode ser coincidência verdadeira, ou não”, disse o senador.
O senador fez insinuações de que o crime organizado em São Paulo teria interesse em ajudar a campanha de Lula à reeleição. O seqüestro, segundo ACM, pode ter sido uma reação pelo mau desempenho de Lula na entrevista.
Não é a primeira vez que membros da oposição fazem a ligação entre a onda de violência em São Paulo e o governo federal. Em julho, o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, insinuou que o PT estaria envolvido nos ataques do PCC a São Paulo. Os tucanos José Serra, candidato ao governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin, candidato à Presidência, também fizeram comentários a respeito da ligação entre o PT e o PCC.
O presidente nacional do PT, deputado federal Ricardo Berzoini, e o candidato do partido ao governo de São Paulo, senador Aloizio Mercadante, reagiram na época com indignação aos comentários da oposição. O presidente Lula também considerou as declarações “levianas”.
Governo vai repassar
R$ 1 bilhão a Estados por conta da Lei Kandir
A segunda parcela dos recursos da Lei Kandir, de R$ 1,950 bilhão, será paga em quatro vezes entre setembro e dezembro. Uma medida provisória a ser publicada nos próximos dias deverá fazer essa liberação, segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda). ‘Os governadores queriam antes, mas a disponibilidade de caixa nos permite fazer isso dessa maneira’, disse. O acerto foi feito em reunião com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB).
O Orçamento destinou neste ano R$ 3,9 bilhões para compensação dos Estados pela Lei Kandir, que isenta as empresas exportadoras do pagamento de ICMS. A primeira parcela tem o mesmo valor. Outros R$ 1,3 bilhão também estão previstos, mas só serão liberados se houver confirmação do aumento da arrecadação.
Para o ministro, o mais importante é pensar em uma alternativa para evitar que todos os anos Estados e governo entrem em conflito por conta dos recursos para a compensação das exportações.
Essa alternativa seria a criação de um fundo para a Lei Kandir, o que deve ser estudado após as eleições. Para Aécio, se houve acordo é possível votar essa medida com agilidade.