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Advogados estudam ação contra o Ibope por 'falsidade ideológica'

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Data de Publicação: 15 de agosto de 2006
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Universo usado para realização de pesquisas não corresponderia ao perfil do Maranhão

Os advogados da coligação “O Povo no Poder” devem entrar com uma ação contra o Ibope por falsidade ideológica, porque o universo usado para a realização de três pesquisas no Estado do Maranhão, patrocinadas pelo grupo Mirante (de propriedade da candidata Roseana Sarney Murad), não corresponde ao perfil do Estado. A amostragem por escolaridade está completamente dissociada do perfil eleitoral divulgado pelo Tribunal Regional Eleitoral e contra aquilo que o IBGE coletou em 2004 (PNAD). Os dois órgãos são mencionados pelo instituto como base oficial para a escolha da amostra a ser pesquisada. Os números que virão a seguir não estão nos arquivos oficiais.

Os números suspeitos do Ibope para a escolaridade dos 812 entrevistados são os seguintes: em dezembro de 2005 (primeira pesquisa de intenção de voto para o Governo do Maranhão), 361 pessoas (44% da amostra) tinham o ensino médio e ensino superior.

Agora vem a contradição: segundo levantamento do IBGE (PNAD/2004 e TSE), apenas 1% da população do Estado freqüentou a universidade. E apenas 12% dos eleitores (acima de 10 anos) tinham chegado até a primeira série do ensino médio (antigo Colegial).

“Estamos analisando todos os detalhes da pesquisa. Há, sim, risco de falsidade ideológica. Caso isso se confirme, vamos ao Ministério Público pedir enquadramento legal”, disse o advogado José Antônio Almeida, da coligação Povo no Poder.

A pesquisa realizada em julho/2006 segue o mesmo padrão da anterior, com margem de erro de três pontos. A discrepância continua: o perfil do eleitor que o Ibope encontrou não é do Maranhão. Sequer poderia ser do Estado de São Paulo, onde apenas 15% da população tem curso superior completo. No Maranhão, os pesquisadores pagos pelo grupo Mirante colocaram 37% da amostragem com curso médio e superior completos.

No caso maranhense, a falsidade dos números registrados na pesquisa atinge todos os grupos de escolaridade. Por exemplo: os analfabetos e aqueles que têm o primeiro grau incompleto são a maioria absoluta em todo Estado, com 74% da população, segundo dados do IBGE e do TSE. No grupo selecionado pelo Ibope, esse grupo corresponde a apenas 35% do eleitores. O Ibope não considerou os 43% de eleitores analfabetos registrados e que estão aptos a votar em outubro, segundo o TRE.

O instituto de opinião pública deixou de seguir mais uma vez os parâmetros populacionais estabelecidos pelo IBGE/TSE, no levantamento de intenção de voto feito semana passada e divulgado no último fim de semana. Segundo o Ibope, 42% da amostra de 812 pessoas tinham o curso médio e o curso superior. (vale repetir, apenas 1% dos eleitores tem curso superior e 12% chegaram até a primeira série do médio – antigo Colegial.)

O gerente de comunicação do Ibope, Marcello Alvarenga, enviou por sua assessoria uma resposta, tentando explicar “os métodos científicos da pesquisa”.

“A variável de amostragem por escolaridade só é controlada no nível superior. As demais saem como decorrência do controle de sexo, idade e ramo de atividade. O nível de escolaridade está crescendo em todo o País e mudando rapidamente. E o perfil de instrução dos eleitores é mais elevado do que da população como um todo.”

A resposta evasiva foi questionada por telefone e a assessora de Imprensa do grupo, Chris Moraes, respondeu que os “métodos científicos do Ibope eram muito difíceis de ser compreendidos pelo repórter, por ela mesma e por qualquer pessoa comum”.

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