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NacionalRepórter da Globo em poder do PCC sofre ameaça de morte

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14 de agosto de 2006
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Repórter da Globo seqüestrado não é solto, apesar da exibição de vídeo

São Paulo (Folhapress) - Apesar da divulgação pela Rede Globo, no início da madrugada de ontem, de um CD com um comunicado da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), o repórter Guilherme de Azevedo Portanova, 30 anos - seqüestrado na manhã de sábado junto com o auxiliar técnico Alexandre Calado, 27 anos -, não tinha sido libertado até o fechamento desta edição.

A divulgação do CD na televisão foi uma exigência dos seqüestradores para soltar Portanova. O CD chegou à TV Globo pelas mãos de Calado, que foi libertado por volta das 22h30 de sábado, a menos de um quilômetro da emissora, na zona sul de São Paulo. A polícia, que estava em alerta máximo na região, não conseguiu descobrir de qual carro ele desembarcou.

Calado recebeu o CD com a ordem de colocar as imagens no ar, o mais rapidamente possível. Ele disse ter recebido dos seqüestradores o seguinte aviso: “A vida do teu colega está na tua mão’’. A reportagem apurou que o técnico e sua família também foram ameaçados. As imagens foram divulgadas à 0h28 de ontem, mas durante todo o dia de ontem não houve mais nenhum contato dos seqüestradores. A mãe de Portanova, Maria Elisabeth Lacerda de Azevedo, fez um apelo pela libertação do filho.

A Globo exibiu o CD - gravado com máquina fotográfica digital - em rede estadual e editou as imagens. Cortou a introdução na qual eram mostradas armas de guerra (fuzis e pistolas automáticas), dinamites, granadas e coquetéis molotov. A reportagem recebeu na última quarta-feira uma cópia do CD, cuja autenticidade não era comprovada. Relatou parte do seu conteúdo em reportagem publicada na quinta-feira.

Uma outra cópia do CD foi jogada, na sexta-feira, no estacionamento do SBT, que a encaminhou à Promotoria.

Ajuda de advogado - O sistema de câmeras da padaria onde a equipe foi sequestrada não armazenou as imagens dos criminosos. A polícia diz que eles sabiam que o sistema só as exibia em monitor. Ao longo do sábado, a polícia paulista fez blitze em diversas favelas. O vídeo foi encaminhado para perícia. A polícia acredita que o texto lido pelo criminoso foi escrito com a ajuda de advogado. Na tentativa de identificar o homem do vídeo, sua voz foi comparada com diálogos de sequestradores armazenados em banco de dados da polícia. Não houve sucesso. A polícia requisitou também imagens das câmeras das rodovias a fim de descobrir se o Gol utilizado no sequestro deixou a cidade.

Por volta da 1h de hoje, o diretor de Jornalismo da TV Globo São Paulo, Luiz Cláudio Latgé, contou detalhes da liberação de Calado e de como foi difícil a decisão de exibir o vídeo. Latgé disse que o auxiliar técnico foi levado até as cercanias da Globo no porta-mala de um carro -que não sabia identificar, mas que imagina ser pequeno, pois o espaço era apertado. Segundo Latgé, ele chegou assustado, mas passava bem e disse não ter apanhado.

“Estava muito amedrontado. Disse que tinha sido libertado com a condição de entregar para divulgação uma fita com as exigências de melhorias do sistema carcerário e que, se isso não acontecesse, o Guilherme seria morto.’’ Latgé disse que foi uma decisão tomada em um curto espaço de tempo. “A gente precisava dar uma resposta e decidiu [exibir o vídeo] na tentativa de preservar a vida de uma pessoa. Provavelmente a gente vai ter que discutir muito sobre esse assunto’’, disse. Após relatar o seqüestro à direção da Globo e à polícia, Calado deixou a emissora às 3h50 e não deu entrevistas a jornais.

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