Por Oswaldo Viviani
Apoio fatal
Dos 72 parlamentares denunciados pela CPI, 87% pertencem aos partidos que apóiam a filha do senador José Sarney ao governo
No ‘listão’ de parlamentares acusados de ter recebido dinheiro em troca da apresentação de emendas ao Orçamento da União para a compra de ambulâncias salta aos olhos uma constatação que pode servir de parâmetro ético para o eleitor maranhense nas próximas eleições. Dos 72 políticos que tiveram a cassação recomendada pela CPI dos Sanguessugas, 63 (87%) pertencem a partidos que integram a coligação “Maranhão - A Força do Povo”, da candidata ao governo Roseana Sarney Murad: PL, PTB, PP, PFL, PMDB e PSC. Os três primeiros também foram os mais implicados no escândalo do mensalão e também possuem o maior número de acusados pela CPI dos Sanguessugas:.
O PL lidera a relação com nada menos que 18 parlamentares (17 deputados e um senador) denunciados pela CPI. O partido teve seu presidente Valdemar Costa Neto citado entre os mensaleiros, o que o levou a renunciar o mandato de deputado. Costa
Neto foi o responsável direto pela intervenção no Diretório Regional do partido para que este apoiasse a candidatura de Roseana Sarney.
Logo atrás vem o PTB, com 16. O PP (13 parlamentares), o PMDB (8), o PFL (7) e o PSC (1) completam o “ranking dos sanguessugas” da coligação roseanista. O deputado César Bandeira, único maranhense que aparece no “listão” de políticos contra os quais a CPI encontrou provas de participação no esquema das ambulâncias, pertence ao PFL, partido de Roseana Sarney. O PMDB, que indicou o candidato a vice de Roseana Sarney, o senador João Alberto, teve sete deputados e um senador citados como Sanguessugas
Já do lado das coligações que se contrapõem à oligarquia Sarney nas próximas eleições, os números são bem menos chocantes. Os partidos abrigados na coligação “O Povo no Poder”, que sustenta a candidatura do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Edson Vidigal (PSB), tiveram 8 parlamentares apontados pela CPI. O PSB teve 4; e o PRB e o PT, 2 cada um.
Os partidos da coligação “Frente de Libertação do Maranhão” (PDT, PPS e PAN), do candidato Jackson Lago (PDT), não tiveram nenhum parlamentar envolvido na “máfia dos sanguessugas”, da mesma forma que os partidos dos candidatos que concorrem ao governo do Maranhão sem se apoiar em coligações – Marcos Silva (PSTU), João Bentivi (PRONA), Ribamar Pedrosa (PCO) e Saturnino Moreira (PSOL).
O PSDB, partido do candidato Aderson Lago, teve um único parlamentar citado na denúncia da CPI: o deputado Paulo Feijó, que se desligou da agremiação recentemente.