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SEBASTIÃO NERY

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Data de Publicação: 10 de agosto de 2006
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O CASAMENTO IMPOSSIVEL

São Paulo - Francisco de Almeida Sales, presidente do Clube dos Amigos do Museu de Arte Moderna, paulista-monumento, fez 70 anos em 82. Vander Godoi ofereceu-lhe almoço na mansão espanhola do bairro de São Francisco, lá para as bandas de Osasco. No convite, um mapa indicava tudo.

Já pela tarde, toca o telefone, atende o jornalista Bartolomeu Barbosa:

- Aí é da residência do senhor Vander Godoi? É ai que se estão comemorando os 70 anos do doutor Almeida Sales. Aqui, quem fala é o Jânio Quadros. Será que o senhor podia me explicar direito o caminho? Não entendi bem o mapa. Há mais de uma hora estou perdido.

- Presidente, o senhor está perdido não é há uma hora. É há 21 anos.

Jânio soltou um palavrão e não foi mais. Voltou para casa. Jânio estava como os candidatos de 1% nas pesquisas: estão perdidos e não sabem.

ABREU SODRÉ

Bartolomeu, o saudoso e bom Bartô, ficou com remorso da brincadeira. Na festa estava meio São Paulo: Ulysses Guimarães, Abreu Sodré, João Pacheco Chaves, Américo Marques, José Paulo Freire. E nós, alguns cariocas: o poeta Gerardo Mello Mourão fez um discurso greco-romano.

Abreu Sodré contou que, governador, Almeida Sales escrevia discursos dele. Quando a rainha da Inglaterra veio ao Brasil, os dois chegaram a um impasse. Sodré entendia que a maior figura da Inglaterra era Churchill Almeida Sales achava que era a rainha Vitória. Sodré pôs os dois no discurso:

- Casei a rainha Vitória com Churchill.

Essa aliança de Lula com o "Bispo" Macedo é um casamento impossível, da rainha Vitória com Churchill. Um disparate histórico.

BOLERO E TANGO

A velha canção popular "Primavera em setembro, de setembro a setembro pode amar coração", é como as pesquisas eleitorais. Setembro vai chegar e quando setembro vier vão ter mais segurança os candidatos. As pesquisas ficarão mais confiáveis. Até lá, cada uma tem seu cliente, mesmo quando pesquisa e cliente são da mesma casa, como Datafolha e "Folha".

O Ibope sempre trabalhou para os governos e agora para a CNI (Confederação Nacional da Indústria) que, presidida pelo deputado trabalhista (sic) Armando Monteiro, virou um apêndice do governo Lula e do PT.

O Vox Populi foi contratado pelo PT para ser o pesquisador oficial do partido. O Sensus pesquisa para a CNT (Confederação Nacional dos Transportes), também entidade patronal financiada por dinheiro publico.

DOIS PARA LÁ, DOIS PARA CÁ

Mas nem por isso nenhum deles vai fraudar intencionalmente as pesquisas. Eles têm um expediente aparentemente inocente para fazer um "carinho" nos clientes. É a margem de erro. Com uma margem de erro de 2 pontos para cima e 2 para baixo, eles podem fazer a "pesquisa bolero": dois pontos para lá, dois para cá. E dar 4 pontos de vantagem ao candidato cliente.

Os mais audaciosos vão além. Fazem a "pesquisa tango": margem de erro de três pontos para lá, três para cá. E são seis pontos, uma boa diferença.

Quando setembro vier começa o jogo. Aí é a imagem deles, que precisa ser o mais possível preservada para manter os atuais e ganhar futuros clientes.

"NONONONO"

Pode esperar sentado quem aguarda um rompimento, antes da eleição, do casal Garotinho e Rosinha, donos do PMDB do Rio, com o senador Sergio Cabral e o deputado Francisco Dornelles, candidatos do partido (e mais do PP, PTB e outros penduricalhos) a governador e senador. Nem Garotinho ainda está tão forte nem Sergio já está tão forte para um brigar com o outro.

Informaram os jornais que Garotinho reuniu, no salão de um hotel do centro do Rio, 400 cabos eleitorais sentados para pedir votos para seu candidato a deputado federal Pudim, ex-prefeito de Campos. Está percorrendo o Estado para lhe dar uma grande votação e mostrar que ainda tem liderança. Os jornais não contaram é que no discurso, faixas e papeis distribuídos (vi um) estão escritos os nomes e números de seus candidatos: "para deputado estadual Noel de Carvalho; para deputado federal Pudim; para senador Dornelles; para governador Sergio Cabral; para presidente Nononono".

Isso mesmo: "Nononono". Esse candidato ninguém conhece. Não é nem mesmo um apelido da Heloisa Helena, em quem ele disse que vai votar.

O BEM E O MAL

A política está ficando tão feia que, mesmo os que nasceram, cresceram e vivem dentro dela, já mal conseguem conviver com ela. Encontro meu amigo Mauricio Moreira, jovem empresário de Alagoas, irmão do ex-deputado e ex-presidente do Sebrae Sergio Moreira e cunhado do senador Renan Calheiros, presidente do Senado.

Neto do coronel José Otavio Moreira, amigo de Juscelino e candidato a senador pelo PSD de Alagoas, o pai e ele foram militantes de esquerda em Maceió e Rio. Decepcionado com a política, Mauricio está convencido de que hoje no Brasil as pessoas valem pelo mal que podem fazer e não pelo bem.

www.sebastiaonery.com.br

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