CASO DO ‘MANÍACO DA MOTO’
POR OSWALDO VIVIANI
Advogado pressiona Justiça para libertar João Gonçalves e sua ex-namorada Elisângela porque sabe que os dois não podem, por enquanto, ser oficialmente denunciados
A juíza Denise Pedrosa Dias, da 2ª Vara Criminal de Açailândia (substituta), decidiu, no sábado, assinar o alvará de soltura de João Gonçalves de Paiva, de 23 anos, e de Elisângela Alves de Souza, 27, ex-namorada de João, que ficou conhecido como o “maníaco de moto”. Porém, no domingo, menos de 24 horas depois, o juiz Fernando Jorge Pereira, da 1ª Vara Criminal (também substituto), pediu uma nova prisão preventiva dos dois, que nem chegaram a sair da cadeia.
De acordo como despacho do juiz, a nova prisão preventiva se justifica em razão da gravidade dos crimes pelos quais o casal está sendo acusado: estupro e assassinato de três mulheres – já confessados por João e negados por Elisângela.
Em princípio, se acreditava que o pedido do advogado Antonio Borges Neto fosse para libertar apenas Elisângela Souza, mas o alvará de soltura assinado pela juíza Denise Pedrosa se estendia também a João Gonçalves de Paiva.
‘Brecha’ jurídica – O advogado está pressionando a Justiça para libertar o casal – que é portador de psicopatia, segundo um laudo psiquiátrico – porque sabe que João e Elisângela não podem, por enquanto, ser oficialmente denunciados.
Isso porque já houve uma denúncia na Justiça, por parte do Ministério Público, contra dois outros acusados por um dos crimes agora imputados a João Gonçalves e Elisângela Souza.
Em 2004, os policiais militares Acosta e Cláudio, do 5º Batalhão da Polícia Militar de Açailândia, foram presos e acusados pela morte da estudante Girlene Soares do Nascimento, de 19 anos, estuprada e assassinada em 12 de fevereiro do mesmo ano.
Os dois PMs ficaram presos durante seis meses. Foram soltos por falta de provas e voltaram a trabalhar normalmente no 5º BPM, mas a denúncia do MP contra os dois ainda tramita no Tribunal de Justiça.
Enquanto o TJ não der uma decisão definitiva sobre a denúncia aos PMs, ninguém mais pode ser denunciado pelo mesmo crime, “brecha” jurídica que o advogado Antonio Borges Neto está aproveitando para tentar libertar o “maníaco da moto” e sua ex-namorada.
Borges Neto alega “decurso de prazo”, já que a lei obriga que a denúncia seja feita em 15 dias e já faz mais de 4 meses que João e Elisângela estão presos.
A sucursal do Jornal Pequeno em Imperatriz tentou ouvir ontem a juíza Denise Pedrosa Dias e o juiz Fernando Jorge Pereira, mas foi informada que os dois estavam em São Luís e que regressam hoje à cidade de Açailândia.
A delegada Igliana Freitas, que preside os inquéritos sobre os crimes creditados ao “maníaco da moto” e sua ex-namorada, informou que os inquéritos sobre as mortes de Girlene Soares do Nascimento, 19, e Maria Marta Silva Bezerra, 18, já foram encaminhados por ela à Justiça, e que o referente a Edinete Alves de Sousa, 19 (irmã de Elisângela), será enviado ainda nesta semana.
As três jovens – todas estudantes – foram estupradas e mortas depois de aceitar “carona” na moto Bizz verde de João Gonçalves, que trabalhava como balconista nas lojas Triângulo, localizada no centro de Açailândia.
Os três assassinatos foram cometidos num matagal às margens de uma estradinha vicinal que dá acesso ao assentamento 50 BIS (próximo à Lagoa do Joaquim).
O balconista afirmou que os crimes contaram com a participação de sua namorada Elisângela, que seria dominada por uma “fantasia” de fazer sexo a três.
Elisângela de Souza está presa no 1º Distrito Policial de Açailândia, que abriga exclusivamente mulheres. João Gonçalves segue detido na Delegacia Regional, de onde fugiram 8 presos na semana passada.