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Sedentarismo influencia mais no excesso de peso do que os alimentos calóricos

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Data de Publicação: 31 de julho de 2006
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Levantamento de hospital, com base nos exames em 4.000 pessoas em cargos de chefia, aponta que 71% deles precisam emagrecer.

Por: Fernanda Bassette

Nos últimos 16 anos, os homens brasileiros ficaram mais gordos. E os homens executivos, mais ainda. Levantamento feito pelo Hospital Israelita Albert Einstein com 4.000 empresários nos dois últimos anos aponta que 71% deles estão acima do peso, contra 26% das mulheres executivas.

O levantamento feito no hospital trata de um público específico, mas é o reflexo de um número que confirma que os homens estão cada vez mais gordinhos: em 1989, dentro da população brasileira acima do peso, eles eram 28%. Já em 2003, num universo de 38,8 milhões de pessoas com excesso de peso, a população masculina somava 41% (segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE).

Contrariando essa tendência, as mulheres praticamente ‘estacionaram’ nesse período: em 1989 eram 38% das pessoas que estava acima do peso. Em 2003, eram 40%.

A principal causa do sobrepeso e conseqüentemente da obesidade é o sedentarismo. “Obesidade e sedentarismo estão intimamente ligados. Sem praticar atividades físicas, a energia que deveria ser consumida fica depositada no organismo em forma de gordura”, explicou o médico José Antônio Maluf Carvalho, responsável pelo levantamento e coordenador do Centro de Medicina Preventiva do Hospital Albert Einstein.

Do total de executivos avaliados, 76% são sedentários ou pouco ativos, não cumprem as metas de atividade física preconizadas internacionalmente (30 minutos diários pelo menos). Por conta disso, afirma Carvalho, o sedentarismo influencia mais no excesso de peso do que a opção por alimentos calóricos ou não-saudáveis.

“Os executivos não conseguem cumprir o mínimo de exercícios recomendados. A gordura fica depositada no abdome, o que aumenta o risco de problemas cardiovasculares.”

A falta de tempo e o grande número de negócios feitos em restaurantes são algumas das ‘desculpas’ dos executivos para justificar o sedentarismo e explicar o aumento de peso. “Isso não é justificativa. Se o executivo fizer mais atividades não-programadas, como subir de escada no escritório, ir a pé até a padaria, andar mais de ônibus, e evitar comer comidas muito gordurosas, por exemplo, ele estará contribuindo para a queima de calorias”, disse Bruno Geloneze, pesquisador do Departamento de Endocrinologia da Unicamp.

Ansiedade, hipertensão, tabagismo, colesterol, triglicérides e presença de gordura no fígado também são fatores de risco importantes que foram identificados nos executivos.

O principal desafio é fazer os executivos, em especial os homens, entenderem que esses fatores trazem riscos à saúde. “É muito difícil reverter esse quadro sem que haja uma mudança de hábitos de maneira geral. O Brasil está alcançando o número de obesos dos Estados Unidos”, disse Rosana Radominski, vice-presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade).

Marisa Helena César Coral, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, também enfatiza a necessidade de mudança no estilo de vida. “Os hábitos da vida moderna estão nos fazendo engordar. É preciso mudar isso urgentemente.”

Homens decidem procurar tratamento depois que já estão com complicações - admitir que está acima do peso e aceitar que é preciso fazer um tratamento para emagrecer é uma tarefa muito difícil para os homens. Segundo especialistas, a maioria dos homens com sobrepeso só resolve levar um tratamento a sério depois que descobre que já está com alguma complicação no organismo.

A complicação que causa mais medo é a esteatose hepática, ou infiltração de gordura no fígado. A doença, considerada do mundo moderno, é silenciosa e pode evoluir para cirrose sem que o paciente tenha o hábito de consumir álcool.

“Só depois de receber esse diagnóstico é que o homem vai levar o tratamento a sério. É nesse momento que a obesidade deixa de ser uma preocupação estética e passa a ser vista como uma patologia”, disse o médico José Antônio Maluf de Carvalho, coordenador do estudo feito no Einstein.

A mesma opinião compartilha Bruno Geloneze, pesquisador do Departamento de Endocrinologia da Unicamp.

“Para você conseguir sensibilizar o homem, você precisa ter um canal de comunicação bem estabelecido. Um deles é a presença de alguma alteração visível em algum órgão. O risco de doença cardíaca, por exemplo, fica apenas na hipótese, ao contrário da doença no fígado, que é visível”, disse.

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