O Irã afirmou ontem que, se a ONU (Organização das Nações Unidas) adotar uma resolução para obrigar o país a suspender as atividades de enriquecimento de urânio, a crise na região será agravada e esforços diplomáticos, condenados ao fracasso.
O temor é de que o Irã esteja, com o enriquecimento de urânio, dando avanços no caminho para construir uma boma atômica. O país se defende dizendo que seu propósito é de gerar energia.
"Se uma resolução contra o Irã for aprovada, a oferta [das grandes potências] deixará de estar na ordem do dia. Os europeus devem estar atentos porque revisaremos nossa política [nuclear] e reagiremos em conseqüência", declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Hamid Reza Assefi. "Pressionando o Irã e tentando nos intimidar, nenhum país conseguirá nada. Muito pelo contrário, a situação vai piorar."
Os cinco países com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU --China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia –, além da Alemanha, manifestaram nos últimos dias a intenção de impor sanções ao Irã se o país não suspender as atividades de enriquecimento de urânio até 31 de agosto.
As sanções seriam estabelecidas em uma resolução que será submetida a votação no Conselho nos próximos dias.
Um projeto de resolução foi distribuído aos 15 membros do Conselho na sexta-feira e pode ser votado no início da semana, informou o embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton.
O texto é o resultado de um acordo entre as seis grandes potências envolvidas na negociação.
A versão divulgada à imprensa exige que o Irã suspenda todas as atividades de enriquecimento e processamento de urânio, incluindo o desenvolvimento e pesquisa, algo que deve ser comprovado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O texto invoca o artigo 40 do capítulo VII da Carta da ONU, que prevê a adoção de medidas provisórias antes da aplicação de sanções.