Por: Darcísio Perondi*
Para os integrantes do PT, lotear cargos entre seus companheiros e aliados é uma herança que vem de longe. E escorando-se nesse argumento, fazem um carnaval de distribuição de cargos, inclusive para a minoria entreguista do PMDB. Vale lembrar que o Presidente da República, nas suas quatro campanhas, prometeu mudar muitas coisas, inclusive acabar com a prática do “toma lá dá cá”. Infelizmente, tais práticas nefastas ganharam uma dimensão bem maior no seu Governo.
Para minha tristeza, o meu PMDB tem uma banda podre, fisiológica, que se entrega em troca de cargos. O presidente Lula entregou a esse grupo, esperando apoio a sua reeleição, novamente a presidência e diretorias dos Correios, justamente o foco inicial do Mensalão, além de duas vagas no comando da campanha. Essa negociata, obviamente, não tem a concordância da maioria do PMDB.
Acredito que Lula vai conseguir só mais um desgaste eleitoral, baseado numa barganha política. A maioria dentro do PMDB, eu posso afirmar, vai trabalhar pelo candidato Geraldo Alckmin, como já antecipou o presidente do meu Partido, o deputado Michel Temer.
Lula mudou o discurso. Afirma ser “mais do que justo que o partido que tenha um ministro no Governo seja responsável por todo o Ministério”. Disse também que, “se tiver qualquer problema, o ministro será o responsável”. Dá para ter uma idéia do que vai acontecer se Lula conseguir se reeleger.
No primeiro mandato, o que mais se ouviu dele foi: “eu não sabia de nada”. Se ele chegar ao segundo, deverá ser: “não tenho nada a ver com isso. É culpa do ministro”. Na prática, o que Lula pretende é agir como Pilatus, que só é lembrado na história por lavar suas mãos.
A exemplo de um técnico de futebol ou de um pai, o presidente da República também não pode se afastar de suas responsabilidades, de fatos que acontecem sob sua gestão.
Lula pretende entregar o Ministério “X” para o Partido aliado “Y” ou “Z” e dane-se a população, a ética, a moral e a cidadania. Estamos vendo a busca do poder total sem responsabilidade. Lula chegou a afirmar ter sido traído, mas jamais disse por quem, e que a prática do caixa 2 é comum a todos os partidos, não só ao PT. Agora entrega cargos a aliados de última hora.
Mais uma vez o presidente Lula insiste no apoio do PMDB, mas só consegue apoio dos oportunistas de plantão, os senadores Renan Calheiros e José Sarney. Lula continua se achando inatingível, blindado. Não quer aceitar para si a responsabilidade pelo mau desempenho de sua equipe e pretende conceder carta branca a seus pretensos novos ministros.
Infelizmente, o Congresso Nacional não conseguiu fazer a limpa dos mensaleiros e sanguessugas, pois boa parte dos parlamentares está envolvida nas falcatruas. Mas depende de todos nós evitar que se repitam, entre 2007 e 2010, os desmandos e as barganhas políticas que se configuraram em uma das maiores irresponsabilidades já vistas na história da República.
* Deputado federal