São Paulo (Folhapress) - As novas descobertas da CPI dos Sanguessugas devem prejudicar as ambições eleitorais não só dos partidos com mais deputados envolvidos com o escândalo, mas também o desempenho do PT nas urnas. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a revelação de detalhes sobre o esquema de compras de ambulâncias superfaturadas por prefeituras traz de volta ao debate eleitoral o tema da corrupção.
Para o cientista político Fernando Abrucio, da FGV, a maior prejudicada é a classe política, especialmente o Legislativo. “Vai ser um voto de amargura e desconfiança.’’
“Para o PT vai ser péssimo’’, opina Roberto Romano, professor de ética e filosofia política na Unicamp. Ele avalia que a extensão do dano dependerá do uso que a oposição fará do escândalo. Romano diz que hoje o holofote está no Legislativo, mas afirma estar claro o envolvimento de autoridades do Ministério da Saúde.
O cientista político Luciano Dias, pesquisador do Ibep (Instituto Brasileiro de Pesquisas Políticas), considera o escândalo prejudicial à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de duas formas: “De maneira subliminar, criando ambiente negativo que favorece a volta ao debate sobre o mensalão, e introduzindo elementos novos na agenda eleitoral’’. Segundo ele, o foco em um aspecto negativo atrairia outros em que o governo falhou, como ética, política externa e comercial.
Segundo Romano, os maiores beneficiados serão Geraldo Alckmin (PSDB) e Heloísa Helena (PSOL). “O PSOL não tomou para si a bandeira da ética, mas é beneficiado porque teve membros expulsos do PT antes do mensalão.’’ Já Dias afirma que Heloísa é favorecida não por integrar o PSOL, mas por ser a candidata que expressa a revolta com a corrupção.
Rabo preso - Abrucio afirma que a eleição presidencial será um pouco afetada, com o aumento do número de votos “contra o sistema’’ direcionados a Heloísa e Cristovam Buarque (PDT) e não crê que Alckmin seja favorecido. “Se eu fosse tucano, não comemoraria a volta da corrupção como tema de campanha, porque eles têm aliados com o rabo preso, como o PFL.’’
Sobre possível respingo do escândalo dos sanguessugas na candidatura ao governo de São Paulo do tucano José Serra, ex-ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso, Abrucio avalia que é necessário aguardar a extensão das investigações. Luiz Antonio Vedoin, apontado como chefe da quadrilha, não faz referência a envolvimento de Serra.
Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, critica o tratamento do tema na campanha.