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Vale Protestar: porque o Maranhão não tem dono e o convento é do povo

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Data de Publicação: 30 de julho de 2006
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Franklin Douglas (*)

Este ano, brincar de boi com o dinheiro do povo teve um sabor mais salgado na boca da oligarquia Sarney. Após quatro anos que o povo maranhense vê atônito, sem poder acreditar a que nível chega o disparate da família Sarney de usar um convento tombado e público como de sua propriedade particular e de abusar dos recursos federais para bancar um bumba-meu-boi fora de época apenas para fazer campanha para a senadora Roseana Sarney e encher os bolsos de seu próprio negócio de comunicação, cidadãos e cidadãs que sonham com um Maranhão livre criaram o Vale Protestar!

E o que é o Vale Protestar?

O Vale Protestar nada mais é do que uma ação a favor do nosso Estado, de nossa gente, de nossa cultura. Uma ação promovida para que se faça uma denúncia de tudo de ruim que é representado pela instalação ilegal da oligarquia Sarney dentro do histórico Convento das Mercês. Que mostra à sociedade como Sarney tomou o convento de assalto e hoje utiliza o prédio histórico para palanque de sua filha. Que questiona o uso que Roseana Sarney faz do dinheiro do Banco do Brasil para, no Vale Festejar, promover-se politicamente. Que denuncia como Fernando Sarney recebe o dinheiro do Vale Festejar e, depois, divide com os seus irmãos sócios da TV Mirante – Sarney Filho e Roseana Sarney.

O Vale Protestar tem a participação de entidades e movimentos sociais. É suprapartidário. Não tem dono. Não se centraliza por um chefe político. Envolve artistas como César Teixeira, Moisés Nobre, grupos de capoeira de angola, de tambor de crioula, do hip hop, de jovens, de cidadãos e cidadãs. Todos dispostos a não mais calar e que, a partir de agora, não mais deixarão os maranhenses que gostam de sua cultura, os turistas que venham aqui conhecê-la, sem saber que a manifestação artística do Maranhão é linda, mas também utilizada para uma política de “pão e circo” para tentar manter a dominação de uma carcomida oligarquia que há 40 anos se sustenta no poder.

Por isso o Vale Protestar incomodou tanto a família Sarney-Murad. Se, nas colunas – orgânicas e pseudo-independentes – do sistema Sarney de Comunicação, o Vale Protestar só merece ataques e desqualificações, é porque estamos no rumo certo.

Foram os aplausos que a caminhada do Vale Protestar recebeu pelas ruas da Praia Grande de populares, artistas, turistas e intelectualidade ali presentes que deram ainda mais fôlego para continuar este movimento. Que iniciou nas reuniões e convocações – presenciais e virtuais – de seu Comitê Organizador, ganhou as ruas na passeata e panfletagem de milhares de jornais pelo Centro Histórico de São Luís (no dia 21 de julho), realizou o batizado do Boi de Taipa por sua madrinha “Rosengana” (no dia 28 de julho), na praça Nauro Machado, e se estenderá por todo o tempo e lugar que for necessário resistir e protestar contra o atraso, a miséria, o analfabetismo e a mercantilização a que a cultura popular maranhense tem sido submetida pelo grupo Sarney-Murad.

Por isso, ele persistirá e se multiplicará pelas centenas de Catirinas, pelos milhares de matraqueiros que acreditam que sim, que vale a pena denunciar! Que vale a pena expressar nossa indignação e nosso repúdio a este mar de lama! Que vale protestar! Que vale festejar a luta do povo pela cultura e pela liberdade! Que vale a pena sonhar com a mudança !!!

(*) Jornalista e professor universitário.

(franklindouglas@elo.com.br)

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