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Sarney importa mão-de-obra para campanha e tem carro apreendido

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Data de Publicação: 30 de julho de 2006
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Deu na imprensa do Amapá

Senador José Sarney importa mão-de-obra para campanha

Dez Picapes e mais três carros pequenos compõem a frota trazida de pelo menos três Estados pelo senador do PMDB. A coordenação de campanha contratou dez motoristas do Maranhão com salários acima de R$ 1 mil, hospedagem em hotel e alimentação até o encerramento da propaganda eleitoral. Os veículos foram alugados por uma distribuidora de medicamentos da terra natal de Sarney de nome Farmamil, empresa responsável pela campanha no Amapá.

O Cartório Eleitoral do município de Santana apreendeu, na manhã de terça-feira, 25, uma picape D20 branca, de placas JTF 3490, de Belém (PA). O carro compõe a estrutura de campanha do senador José Sarney e foi preso por trafegar com os alto-falantes ligados fazendo propaganda eleitoral em frente à sede do TRE daquele município, o que é proibido por lei. Tudo seria normal se um fato não chamasse a atenção dos policiais e dos agentes eleitorais: a origem do veículo e a naturalidade do motorista.

Antônio José Lopes da Silva, o motorista, disse que não sabia que trafegar em frente a hospitais, órgãos públicos e escolas com carros de som fazendo propaganda eleitoral era proibido:

— Eu não sou daqui. Sou do Maranhão. Não sabia disso — disse ele, tentando eximir-se de qualquer culpa enquanto o carro era levado pelos policiais.

O fato de Antônio Silva ser maranhense também seria normal se junto com ele outros nove motoristas não tivessem vindo para o Amapá fazer a campanha de José Sarney à reeleição. E José Sarney não importou somente a mão-de-obra. Trouxe ainda dez carros tipo D-20 equipados com caixas de som para fazer sua campanha nos bairros e municípios do Amapá.

Os veículos possuem placas dos Estados do Piauí, de São Paulo, do Pará e do Maranhão, de onde vêm a maioria dos veículos. De acordo com informações colhidas junto aos próprios motoristas, esses carros foram alugados de pessoas físicas por uma distribuidora de medicamento de nome Farmamil, localizada no Km 04 da BR-135, em Tibiri, no Maranhão, e que teria sido contratada para fazer a campanha do senador José Sarney no Amapá.

A Farmamil, do Maranhão, é uma filial de uma outra empresa cuja razão social é União de Farmácias do Distrito Federal, e a matriz fica em Brasília (DF).

Além das dez picapes, Sarney trouxe ainda um Gol, modelo 1988, bege, de placas HOV 4436; um Santana azul, modelo 1986, de placas HVD 1738, e um Gol, modelo Atlanta, 1996, vermelho, de placas HOV 4133.

Motoristas de ouro - Os dez motoristas contratados no Maranhão, conforme informou um deles, firmaram acordo com a coordenação local da campanha de Sarney, de que receberiam diárias no valor de R$ 35 cada; ou seja, cada motorista receberia por mês R$ 1.050, com custos de alimentação e estadia pagos pela campanha. Os motoristas estão hospedados no Hotel Açaí, localizado na Avenida Antônio Coelho de Carvalho, atrás do estádio Glicério de Souza Marques. Cada diária no hotel custa R$ 40 e o contrato fechado pela empresa para hospedagem dos motoristas é até o término da campanha, no final de setembro. Isso quer dizer que somente em hospedagem cada motorista vai custar pelo menos R$ 2,8 mil, já que os motoristas estão no hotel desde o último dia 21. No montante os dez somam somente em diárias R$ 28 mil.

A informação de que a campanha de Sarney no Amapá teria estrutura e pessoal contratados no Maranhão foi repassada à militância de candidatos proporcionais em reuniões de organização de base desses candidatos com o argumento de que no Maranhão as organizações de campanhas eleitorais são melhores que no Amapá. Cada um desses militantes receberia R$ 100 por semana para pedir votos a Sarney, além de seus candidatos a proporcionais.

Essa não é a primeira vez que o senador José Sarney contrata carros e pessoas no Maranhão para executarem a sua campanha no Amapá. Em 1990, quando se elegeu pela primeira vez senador pelo Amapá, Sarney trouxe 50 fuscas e toda a estrutura de campanha foi terceirizada para empresas do seu Estado natal.

(Do jornal Folha do Amapá)

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