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Data de Publicação: 3 de julho de 2006
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Por: João Conrado

Far play nos negócios

Duas semanas atrás, tecíamos comentários aqui neste espaço sobre o futebol e os negócios. Fazíamos comparações entre algumas regras básicas utilizadas pelos técnicos nesta Copa do Mundo e o mundo empresarial. Como o assunto Copa do Mundo ocupa a maior parte das atenções do momento, não custa aproveitar mais alguns conceitos do esporte para relacioná-los com as empresas.

O torcedor escuta os narradores falarem constantemente do Fair Play. Eles dizem que a FIFA preocupa-se com isso e este campeonato que vai ficar na história como a maior Copa do Mundo de todos os tempos, tem no Fair Play a sua marca registrada. Mas o que significa mesmo esse tal de Fair Play? Qual a sua importância no futebol? Qual a sua relação com o mundo dos negócios? É disso que vamos tratar nas linhas a seguir.

Em termos básicos, Fair Play, no dicionário da FIFA, significa respeitar as regras do futebol. Entretanto, nesta Copa do Mundo, o conceito ampliou-se, envolvendo também as noções de amizade, de respeito pelo outro e de espírito desportivo. O conceito procura abranger uma constante luta contra a arte de usar a astúcia dentro do respeito das regras (a famosa “catimba”), o doping, a violência (tanto física como verbal), a desigualdade de oportunidades, a comercialização excessiva e a corrupção. Em outras palavras, trata-se de um conceito ético aplicado a uma atividade esportiva que, pelas suas características sócio-culturais, tem o poder de promover a interação social, desenvolver relações e proporcionar o bem-estar da coletividade.

Nota-se que, a despeito da sua característica de competitividade, a Copa do Mundo vem conseguindo aplicar o Fair Play de forma bem acentuada. Não raro, vemos jogadores paralisando uma situação de ataque e colocando a bola para fora quando percebem que um jogador adversário está machucado. Ou seja, ainda que a meta número um de cada time seja vencer, e isso só se consegue com uma postura ofensiva, o Fair Play induz os jogadores a abster-se de uma possibilidade em prol da recuperação do adversário. Nota-se que o time adversário, tão logo a partida seja reiniciada, devolve a bola ao outro time, num claro sinal de reconhecimento da postura ética. Quando isso não ocorre, como na partida entre Portugal e Holanda nas Oitavas de Final, a torcida vaia e critica o time que não cumpriu com o Fair Play (no caso, a Holanda).

Tais noções éticas facilitam o congraçamento entre os times e respectivos atletas, promovendo o respeito, a ética e, melhor que tudo isso, a redução da violência. Não por acaso, o jogo mais violento da Copa do Mundo foi justamente o jogo entre Portugal e Holanda, aquele onde o Fair Play foi deixado de lado. Nesse clima de alto astral, nem mesmo casos de doping, tão comuns em eventos esportivos, foi detectado nesta Copa.

Em relação às empresas, deveria haver uma espécie de Fair Play a regular as relações éticas. Assim como no futebol, impera a rivalidade e a competitividade. Todas as empresas querem, e precisam, vencer no mundo de clientes exigentes e de recursos escassos. No entanto, nada justifica as atitudes que um dia foram denominadas de capitalismo selvagem. O canibalismo explícito vigora nesse ambiente em que “enfiar a mangueira na boca do adversário que já está se afogando” é o conselho mais sábio que um guru pode dar. Práticas ilegais, como a sonegação fiscal, o desvio de recursos e a propinagem explícita são entendidas como meios de sobrevivência num mundo onde os honestos não terão chance.

Precisa-se urgentemente de um Fair Play para o ambiente onde as empresas atuam. Pena que não exista um xerife, como a FIFA, para disciplinar, exigir, cobrar e punir aqueles que desrespeitam as regras básicas da boa convivência de civilidade.

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