O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse ontem que o Ministério da Saúde é a “matriz” do escândalo de superfaturamento na compra de ambulâncias com a intermediação de parlamentares, conhecido como o escândalo das sanguessugas.
‘’Na questão das sanguessugas, o deputado é a filial. A matriz está no Ministério da Saúde. Isso mostra que você não tem controle sobre os recursos públicos”, afirmou Alckmin, em Porto Alegre, onde cumpriu agenda de campanha durante todo o dia. Ele também visitou Canoas (região metropolitana).
Questionado sobre a acusação de que a máfia das ambulâncias já atuava desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, Alckmin afirmou que a empresa Planam (suspeita de ter centralizado o esquema) ‘’cresceu de dois anos para cá”.
Mesmo assim, ele disse, a respeito de possíveis irregularidades na administração anterior: ‘’Sou a favor de qualquer investigação”.
Alckmin também acusou o governo federal de usar a máquina pública para atacar seus adversários.
‘’A máquina pública é utilizada não para defender o Estado, mas para atacar os adversários. Aquele depoimento do ministro da Justiça [Márcio Thomaz Bastos] é deprimente, deplorável”, disse. Ele afirmou que se referia a entrevistas coletivas organizadas por autoridades do governo para atacar oposicionistas —não especificou o discurso de Bastos.
Antes dessa declaração, Alckmin disse que não aceita o discurso petista de que todos os partidos se nivelam na questão ética. ‘’O que o PT dizia no passado? Que só nós [o PT] somos honestos. Agora, todos são iguais. Não somos, não. Somos muitos diferentes”, disse.
Ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um mau exemplo para a população. ‘’Acho que ele dá um exemplo muito ruim, pela omissão e pela ação equivocada”, afirmou ele.
Em todas as entrevistas concedidas durante sua agenda no Rio Grande do Sul, Alckmin elogiou a maturidade dos políticos brasileiros que valorizam a conquista da estabilidade monetária e da responsabilidade fiscal, e pontuou diferenças suas em relação ao PT, dizendo que vai cortar os juros e investir mais. ‘’O presidente Lula foi, talvez, o que mais prejudicou a produção, a agricultura.”
A respeito da carência de investimentos em energia, o candidato tucano falou na possibilidade de, por isso, haver um novo apagão no Brasil, a exemplo do que ocorreu no governo de FHC. ‘’Poderemos, em 2009 ou 2010, ter problema de falta de energia, se não houver investimento privado na geração”, disse.