O mercado de CDs no Brasil entrou na legalidade. No ano passado, o número de discos piratas comercializados no país representou 40% das vendas totais. Em 2004, a fatia era 52%; em 2003, 59%.
Esses dados estão em relatório da Associação Brasileira dos Produtores de Disco (ABPD), entidade que representa as quatro grandes gravadoras no país. Alguns dos fatores que podem ter contribuído para a queda da pirataria física são o aumento da pirataria digital e a intensificação das ações do governo brasileiro no combate a esse comércio.
No centro de São Paulo, um CD pirata pode ser comprado por, em média, R$ 5; já "Carioca", último disco de Chico Buarque, custa cerca de R$ 30 nas lojas oficiais.
Os dados da ABPD acompanham relatório mundial sobre pirataria divulgado pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI).
Nesse relatório, o Brasil aparece entre os dez países classificados como "prioritários" no combate ao mercado ilegal. Os outros são Canadá, China, Grécia, Indonésia, Itália, México, Rússia, Coréia do Sul e Espanha. Situação pior, segundo a IFPI, vivem Bulgária, Paquistão, Taiwan e Ucrânia, onde as ações devem ser intensificadas.
Os brasileiros, afirma o relatório da IFPI, baixaram ilegalmente 1 bilhão de canções pela internet no ano passado. De 1997 para cá, 80 mil empregos foram perdidos no país com os avanços da pirataria.
Em estimativas da IFPI, cerca de 20 bilhões de arquivos musicais foram trocados ou baixados em 2005, ano em que 37% dos CDs comercializados no planeta foram piratas. Isso representa 1,2 bilhão de discos, em mercado que movimenta US$ 4,5 bilhões. Em 30 países, a venda de CDs piratas superou a de discos originais.
Ainda de acordo com a IFPI, 80 milhões de CDs piratas foram apreendidos em 2005.
Perfil de consumo - Com o seu relatório, a ABPD divulgou pesquisa sobre o perfil do consumidor de discos no país. Foram entrevistadas 1.209 pessoas acima de 15 anos em dez regiões metropolitanas. As mulheres representam 58% do total de compradores de CDs. A faixa etária que mais consome é a dos 15 aos 24 anos. E 51% das pessoas que compram CD são de classe C.