O deputado federal César Bandeira (PFL) desmentiu ontem, de forma categórica, ter qualquer tipo de envolvimento com o escândalo que está sendo apurado pela CPI das Sanguessugas. “É uma calúnia deslavada e vou reagir energicamente”, declarou o parlamentar. Ele frisou que atribui as acusações feitas, envolvendo o seu nome, a “interesses contrariados do bandido”, numa referência ao empresário Luiz Antônio Vedoin.
“Ele (Vedoin) não conseguiu ter interferência nas emendas parlamentares que destinei a seis municípios maranhenses. Por isso, atirou a esmo e fez acusações levianas, mas a minha imagem ele não vai denegrir, porque a minha imagem foi construída durante 24 anos de mandatos e de uma vida inteira como profissional e como empresário”.
Em entrevista coletiva à imprensa, concedida na sede do PFL, no Edifício Planta Tower, no Renascença, César Bandeira explicou que apresentou emendas ao Orçamento da União para a compra de uma ambulância para Lago da Pedra e outra para a cidade de Primeira Cruz, uma UTI móvel e um veículo para a Vigilância Sanitária de Urbano Santos, equipamentos hospitalares para São João dos Patos e Poção de Pedras.
Mostrando-se indignado com as acusações, Bandeira disse que irá processar quem o acusou e que irá pedir direito de resposta aos órgãos de imprensa, que citaram o seu nome. “Sou um empresário bem sucedido, não preciso me envolver com falcatruas”. Em tom enfático, o deputado frisou que a Câmara dos Deputados foi negligente, “por deixar que uma meia dúzia queira aparecer nos holofotes, fazendo acusações sem provas e em afronta à Constituição, ou seja: sem dar o direito de defesa ao acusado”.
César Bandeira confirmou que já foi notificado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas, que apura denúncias de que alguns deputados interferiam pessoalmente na compra fraudulenta de ambulâncias por prefeituras. Ele explicou que irá entregar à CPMI toda a documentação que possui, para provar que é inocente, e que, na próxima terça-feira (dia 1º de agosto) ocupará a tribuna da Câmara para fazer sua defesa.
Bandeira fez questão de dizer que a aparição de seu nome na lista dos acusados não tem nada a ver com o seu afastamento temporário da presidência do PFL no Maranhão. “Em absoluto, não tem nada a ver. Me afastei apenas para alavancar a minha candidatura a deputado estadual”. Ele acrescentou que, a dois meses das eleições, terá de fazer um esforço redobrado para eleger-se para uma das vagas da Assembléia Legislativa. “Minha reeleição para deputado federal seria tranqüila. Ocorre que tenho quatro mandatos de deputado federal, mas os meus negócios, a minha família e os meus amigos em São Luís já exigiam o meu retorno”, declarou Bandeira, explicando porque resolveu sair candidato a deputado estadual.