O presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), disse ontem, 27, que há a suspeita que parlamentares cooptavam prefeitos em troca de dinheiro e favores políticos para que participassem da máfia das ambulâncias.
Segundo Biscaia, a atuação de alguns congressistas não se limitava a apresentar emendas ao Orçamento para a compra de ambulâncias. Eles interferiam também nos processos de licitação das prefeituras que eram fraudados para que a Planam vencesse todas as concorrências.
"Em alguns casos o parlamentar apresentava sua emenda direcionada para um município e, em seguida, fazia gestões para que a Planam fosse vitoriosa e ele recebesse proveito, em outros casos a própria empresa se apresentava", afirmou.
A Planam é considerada pela CPI como a cabeça do esquema. A empresa cooptava parlamentares em troca do pagamento de propina para que esses integrassem o esquema. As informações de que parlamentares também interferiam no processo de licitação foi revelada no depoimento de Luiz Antonio Trevisan Vedoin, um dos sócios da Planam.
Biscaia comentou que os parlamentares que atuavam não apenas apresentado emendas tiravam "duplo proveito" do esquema. Além de receberem propina da Planam, também conquistavam vantagem de natureza política com os prefeitos. "É um esquema de ramificações que nos deixa estupefatos", lamentou.
O presidente da CPI disse que a atuação da quadrilha já está comprovada e que agora o trabalho da comissão é definir os limites do que será investigado.