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Ministro diz que investigações não são para acusar governos passados

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Data de Publicação: 28 de julho de 2006
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Brasília - O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, defendeu ontem, 27, as investigações sobre a compra superfaturada de ambulâncias com recursos do Orçamento da União. De acordo com ele, as operações não visam acusar governos passados ou partidos políticos, "mas mostrar que o atual governo aparelhou a Polícia Federal e outros órgãos para o combate à corrupção sistêmica no país".

A Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou na quarta-feira, 26, informações sobre convênios para compra de ambulâncias no período de 2000 a 2004, resultado de um cruzamento de dados que apontam que o esquema de fraudes poderia chegar à gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A informação provocou reações de líderes da oposição no Senado.

"É necessário que um governo tenha coragem de combatê-la (corrupção). Não estamos dizendo que os governos anteriores foram omissos ou foram cúmplices. Estamos dizendo que nós aparelhamos o Estado brasileiro para que essa ação fosse realizada", disse Tarso aos jornalistas. "Não se trata de uma desconstituição da representação política do Brasil, porque isso não se transmite para a comunidade partidária. As pessoas são responsáveis individualmente pelo que fazem", acrescentou.

A Operação Sanguessuga, da Polícia Federal, realizada após investigação do Ministério Público no Mato Grosso, conseguiu desarticular uma quadrilha que fraudava licitações para a compra superfaturada de ambulâncias com recursos públicos. O esquema tinha ramificações nas prefeituras, em associação de municípios, em empresas de fachada, no Ministério da Saúde e até dentro do Congresso Nacional. Após a operação e a pressão de alguns parlamentares, foi criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o assunto.

De acordo com Tarso Genro, a ação do governo tem sido exemplar. Ele ressaltou que não têm sido divulgadas listas de culpados, mas de investigados, que incluem mais de 90 parlamentares suspeitos de envolvimento no esquema. "Nos últimos 30 anos, eu não me recordo de uma operação tão importante como essa e tão republicana como essa. A partir de 2002, ela atinge indistintamente os representantes políticos do país".

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