A Polícia Federal prendeu seis pessoas ontem, 26, suspeitas de participar de uma quadrilha especializada em fraudar licitações públicas. Entre os presos está um funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Geraldo Luiz Ferreira.
Segundo a PF, outros seis servidores públicos estariam envolvidos com o esquema, mas a Justiça negou o pedido de prisão temporária dos demais.
As fraudes foram identificadas em contratos de prestação de serviços assinados pelo Ministério dos Transportes, Ministério da Justiça, Ministério da Ciência e Tecnologia, Senado, Abin e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
Segundo a PF, o esquema seria comandando pelas empresas Conservo, Ipanema e Brasília Informática, que fraudavam as licitações. Por meio da oferta de vantagens e benefícios a funcionários públicos, essas empresas ficariam sabendo com antecedência o que seria pedido nos editais de licitação pública. Além disso, elas também subornariam outras empresas para que essas não apresentassem propostas nos processos de licitação.
Além do servidor da Abin, a PF prendeu também cinco pessoas ligadas às empresas suspeitas de fraudar licitações públicas: Rosana de Souza Cardoso (funcionária da Conservo), Paulo Duarte (funcionário da Ipanema), Marcos Pontes Veloso (dono da Brasília Informática), Vitor Cugula (dono da Conservo) e José Carvalho Araújo (da Ipanema).
Segundo a PF, as fraudes ocorriam principalmente nas áreas de serviços gerais e de informática. A quadrilha, que atuava pelo menos há quatro anos, tinha contratos com diversos órgãos do governo e com o Senado. Só um dos contratos da Conservo com o Ministério da Justiça tinha o valor de R$ 25 milhões. O contrato será revisto pela Controladoria Geral da União (CGU). Outros 15 contratos estão sob suspeita.