POR JOSÉ LINHARES JR.

Em uma reunião realizada ontem, 26, na sede do sindicato da categoria, os rodoviários de São Luís decidiram se reunir com autoridades e empresários para tentar achar uma forma de coibir os assaltos aos ônibus na capital. Eles vão sugerir algumas medidas que podem dar mais tranqüilidade para motoristas e cobradores, como a realização de blitze nos trechos mais perigosos (Monte Castelo, Vila Nova, BR-135 e Ipase) e policiamento em rotatórias.
De acordo com o presidente em exercício do Sindicato dos Rodoviários, José Rodrigues, desde 1996 a classe vem alertando sobre a falta de segurança no sistema de transporte público de São Luís. Nos últimos três meses, o aumento nos índices de assaltos e a ousadia dos criminosos fizeram com que o sindicato optasse por buscar formas de pressionar o poder público e empresários para buscarem medidas que contenham a criminalidade. "Há dez anos estamos alertando e tentando sensibilizar para a situação. Chegou a hora de sermos mais severos em relação ao problema", prometeu Rodrigues.
Hora marcada - Um estudo promovido pelo Sindicato dos Rodoviários comprovou que mais da metade dos assaltos acontece entre as 20h e 2h da manhã. No entanto, nos últimos meses os assaltantes estão ficando mais ousados e assumindo posturas mais radicais. "Há algumas semanas atrás um cobrador foi esfaqueado em plena luz do dia por um delinqüente que entrou no ônibus armado apenas com uma faca. Isso significa que a falta de segurança dos ônibus já está se popularizando, o que indica, conseqüentemente, um aumento de audácia por parte dos criminosos", disse.
Para o superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes (SET), Luís Cláudio Siqueira, o problema reportado pelos rodoviários existe. "Os empresários estão cientes da situação e sabem que ela merece ser tratada com urgência", frisou.
No decorrer da semana foi cogitada a possibilidade de o sistema de transporte coletivo ser paralisado durante parte da noite, a partir das 19h. "Esta possibilidade não passa de uma proposta que nem ainda discutida foi. Apesar disso, estamos nos preparando para tomar as rédeas da situação caso medidas não sejam tomadas", disse José Rodrigues.
Para Luís Cláudio Siqueira, esta paralisação não daria resultado algum. "Todos sabem que os marginais não escolhem horário para assaltar. Este tipo de ação só iria prejudicar a população".
Sobre as possíveis medidas que o SET poderia tomar para que o índice de assaltos fosse reduzido, o presidente do sindicato afirmou. "Estamos trabalhando com a Polícia Militar. Nós cedemos os ônibus e eles destacam seus efetivos para localidades perigosas onde é feita a revista dos passageiros dos ônibus".
A declaração de Luís Cláudio surpreendeu o presidente do Sindicato dos Rodoviários. "Em vários anos como rodoviário não tenho notícia de nenhuma ação desta natureza. O sindicato desconhece totalmente qualquer tipo de iniciativa deste tipo".
Próximos passos - Nos próximos dias o Sindicato dos Rodoviários irá fazer uma avaliação do problema e manter diálogo com a Secretaria Municipal de Transportes Urbanos, Secretaria de Segurança e com o SET. Posteriormente, o Tribunal Regional do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho e Procuradoria do Trabalho devem ser notificadas. "Este é um debate que merece ser estendido á todas as pessoas e instituições, sem distinção alguma. Afinal de contas, a criminalidade é um problema de todos".