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Editorial
Ruídos intestinais

Ruídos intestinais

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Data de Publicação: 26 de julho de 2006
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Qualquer um que tome conhecimento de sua capacidade em criar factóides jurará que Jura Filho é um vice-governador extinto a vagar e um candidato a deputado sem vaga no Poder Legislativo.

É coisa de meninão mimado, ou aparvalhado, inventar a existência de escutas eletrônicas no gabinete do vice-governador; coisa de bebedor de leite de cabra francês perdido num faroeste de pobrezas onde a maioria bebe cachaça da terra para disfarçar a fome e a ausência das vitaminas que o próprio grupo Sarney consumiu sozinho.

Afinal de contas, quem teria interesse em escutar Jura Filho, se ele nem como cantor brega atende às necessidades do povo? Como bem disse o governador, “o governo não tem necessidade de escutar ninguém; o governo quer ser escutado pela população, pela sociedade”. Inclusive para dizer do inferno administrativo em que deixaram o Maranhão para José Reinaldo governar.

Se bem que membros do grupo Sarney, devidamente monitorados, por força de lei e com autorização judicial, poderiam revelar um Código Penal inteiro de embustes e fraudes cartoriais, ninguém está conseguindo ver em Jura Filho importância nenhuma para que com ele se arrisquem os custos da instalação de escutas telefônicas.

As supostas escutas eletrônicas denunciadas por Jura Filho são de certa forma tão artesanais que parecem ter sido instaladas e construídas por silvícolas americanos, daqueles que ainda se guiavam por sinais de fumaça e linguagem de tambores. Não é coisa da tecnologia exacerbada de que nos utilizamos nos dias de hoje. Assim como também o vice-governador parece não ser uma coisa dos dias de hoje. Quem pensaria em instalar escutas sem transmissores e, ainda por cima, nos fundos de uma cadeira, tão facilmente perceptível, e com que intenções? A de ouvir os ruídos impensáveis e imprestáveis dos intestinos da vice-governadoria? E se o outro dispositivo estava num pincel, talvez estivessem os espiões, captando o vai-e-vem do artefato, tentando descobrir quem pintou a coligação impossível que une Roseana Sarney ao presidente Lula num muro da Rua do Egito. E mais uma vez burlando, atravessando e cuspindo na legislação eleitoral.

Sem bateria e sem transmissores, sem poder político e sem influência administrativa, o vice-governador, vago e a vagar como, aliás, tem sido toda sua carreira política, tenta virar notícia operando uma farsa estapafúrdia, que a ninguém convence por falta de substância e que, certamente, não resistirá à preliminaridade de qualquer exame da polícia técnica. Certo está o diretor do Centro de Inteligência do Estado do Maranhão, professor Raimundo Teixeira Araújo ao sugerir que a Polícia Federal de Brasília acompanhe o caso. A campanha está apenas começando e já temos que lidar com invectivas dessa natureza. Vamos esperar que eles não ousem, até 1º de outubro, inventar um outro caso Reis Pacheco ou implodir mais um edifício Granville.

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