A revelação do empresário Luiz Antonio Vedoin de que mais parlamentares do que os 57 investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) participaram do esquema provocou discordâncias na CPI dos Sanguessugas. O relator da comissão, senador Amir Lando (PMDB-RO), disse ontem que não pretende notificar os novos envolvidos para que apresentem suas defesas, contrariando membros da CPI.
Segundo apurou a Folha, Lando teme que a divulgação da nova lista possa colocar lado a lado parlamentares citados, mas contra os quais ainda não há comprovação de participação no esquema, e os que já têm contra si provas cabais. O senador avaliou que será difícil separar o joio do trigo se todos forem notificados.
A posição de Lando de não notificar os novos acusados pode acabar preservando os parlamentares. Reportagem da revista Veja deste final de semana, revelou que além dos 57 já conhecidos, outros 32 congressistas com mandato também teriam participação com a quadrilha dos sanguessugas. Como a investigação corre em segredo de Justiça, a comissão só pode confirmar os nomes publicados depois das notificações. Na lista da Veja, ainda constam 24 ex-parlamentares, que a CPI não pretende investigar.
Provas - Oficialmente, Lando justificou que alguns parlamentares têm contra si provas cabais, o que torna a defesa inócua. "A notificação [para que apresentem a defesa] é irrelevante diante dos casos com provas cabais. Os nomes cujas provas são suficientes para examinar uma conduta indecorosa já podem ser encaminhados ao Conselho de Ética independente da notificação", afirmou. Depois retificou que somente depois da votação de seu relatório, "provavelmente em 18 de agosto", é que o Conselho terá esses nomes.
O sub-relator de sistematização da CPI, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), não concordou com a posição de Lando. "Não podemos criar suas categorias de parlamentares: os que serão investigados antes das eleições e os que serão depois", disse.
Pela manhã, Sampaio recebeu da Polícia Federal transcrições de telefonemas do empresário Luiz Antonio Vedoin com políticos.
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), vice-presidente da comissão, apresentou requerimento ontem para que os citados por Vedoin sejam notificados. "Nós temos que notificar até para dar a garantia de que todos serão investigados. Eles também têm que ter onde apresentar suas defesas", disse.