Suspeita de mais uma farsa do grupo Sarney
O governador José Reinaldo Tavares reagiu, ontem, com indignação, às insinuações do grupo Sarney de que o governo teria montado um esquema de escuta na residência oficial do vice-governador Jura Filho. “Isso é mais uma armação que estão querendo fazer contra nós, mas a Polícia está aí mesmo para investigar e esclarecer tudo”, disse o chefe do Executivo, no lançamento do Programa Maranhense de Biocombustíveis, no Palácio Henrique de La Rocque.
Segundo o governador, Jura Filho pediu, sim, a reforma da residência oficial ao governo, apesar dos meios de comunicação do grupo Sarney (TV Mirante e jornal O Estado do Maranhão) noticiarem o contrário. “Nós não temos necessidade de escutar ninguém. O governo é quem quer ser escutado pela população, pela sociedade. Quem deve ter interesse em monitorar o Jura Filho é o senador João Alberto (PMDB) para saber o que ele está fazendo”, disse.
A Secretaria de Infra-estrutura (Sinfra), órgão que realizou a reforma na casa do vice-governador, confirmou que o pedido da obra foi feito por assessores de Jura Filho. A obra, segundo informações da Sinfra, foi atendida após a solicitação recebida por meio do ofício 069/2006, assinado por José da Silva Gasparinho Neto, assessor do vice-governador, acompanhado de exposição de motivos da administradora da residência oficial da vice-governadoria, Maria José Pinto.
Sobre o grampo - O diretor geral do Centro de Inteligência do Estado do Maranhão (Ciemar), professor Raimundo Teixeira de Araújo, citado nas matérias dos veículos do grupo Sarney, reforçou que o atual governo estadual nunca teve interesse algum em escutas telefônicas. “Não tratamos disso, não é a nossa função nem nosso objetivo de trabalho, bem como jamais recebemos qualquer sugestão nesse sentido do governador José Reinaldo”, esclareceu. Para Teixeira, o vice-governador Jura Filho é uma pessoa que, no momento, não tem poder político; não tem influência alguma no processo administrativo e não vê porque alguém teria interesse em monitorá-lo. “Tudo não passa de uma armação, com o objetivo de tentar atingir a imagem do governador”, acredita.
Raimundo Teixeira suspeita que esse tipo de ação esteja sendo feita por um pseudo-empresário do ramo da espionagem eletrônica, proprietário de uma firma de segurança. “Pelo que se viu, trata-se de um trabalho de amador, e que já se repetiu outras vezes. Ou seja, ele instala o grampo e, depois, ele mesmo faz de conta que o localiza...” O diretor do Ciemar sugeriu ao governador José Reinaldo Tavares, por escrito, que dessa vez solicite à Policia Federal de Brasília o acompanhamento do caso. “É preciso acabar de uma vez por todas com essa farsa”, enfatizou.
Relatório preliminar mostra que equipamentos são artesanais
O relatório preliminar da perícia sobre o suposto sistema de escuta, na residência do vice-governador Jura Filho, aponta que os equipamentos apreendidos são artesanais e que, no dia da varredura feita pela Polícia Civil, não foi encontrado nenhum transmissor nas imediações da casa que pudesse levar as gravações para outros pontos. A conclusão das investigações, que estão sendo conduzidas pelo delegado José Maria Melônio Filho, deve sair no prazo de dez dias.
De acordo com a Polícia, o fato de Jura Filho ter chamado um técnico para retirar os objetos dos respectivos lugares, traz prejuízo às investigações. Segundo estas apenas um dos equipamentos, que teoricamente estava acoplado a uma cadeira do escritório do vice-governador, funcionava. Já o dispositivo que supostamente estava em um pincel não apresentou sinais de funcionamento, mesmo depois da perícia ter se utilizado de uma bateria nova.
O delegado já listou todos os envolvidos no episódio e vai ouvi-los, um a um. O técnico chamado por Jura Filho, que teria removido os equipamentos dos lugares mencionados pelo vice-governador, já foi identificado. Segundo a Polícia, as investigações estão em andamento e só com os depoimentos, os culpados podem ser apontados.