O JP cede seu espaço editorial de hoje para um oportuno artigo do jornalista Chico Bruno, do jornal Folha do Amapá, sobre o senador José Sarney, autor de uma frase que está sendo considerado um verdadeiro acinte ao povo amapaense. Intitulado “Depois de 16 anos de mandato, Sarney não conhece o Amapá”, o artigo de Chico Bruno diz:
“O senador José Sarney (PMDB-AP) afirma que o Amapá é o Estado mais miserável do País. Se este fosse o caso, que não é, o que fez ele para minorar a miserabilidade no Estado?
A declaração do senador José Sarney é um acinte. Quem conhece o Amapá sabe que isso não é verdade. A maneira como ele se dirigiu ao País, da tribuna do plenário do Senado, é ilógica. Como pode um representante do Amapá, com 16 anos de mandato, reconhecer tamanha negligência?
De 1990 até 2006 o senador teve bastante tempo para resolver a questão, não o fez porque não vive nem mora no Amapá. Sarney se aproveitou, ao deixar a Presidência da República com altos índices de impopularidade, da boa vontade e hospitalidade dos amapaenses, que lhe estenderam as mãos e o acolheram, elegendo-o como representante do Amapá no Senado Federal.
No Amapá, como em qualquer outro Estado da Federação, convivem ricos e pobres. Ao generalizar, o senador José Sarney reduziu a imagem do Amapá à da miserabilidade total. Sarney foi mais longe ao afirmar que os gêneros alimentícios, no Amapá, custam o dobro do que em qualquer outra parte do País.
Quem conhece o Amapá e está acostumado a freqüentar feiras e supermercados de Macapá sabe que Sarney não sabe o que diz. Quem freqüenta os muitos restaurantes de Macapá louva a comida de boa qualidade, farta e barata que se saboreia no Amapá. Realmente Sarney não mora em Macapá, pois se morasse não falaria tanta asneira.
Talvez nas suas rápidas passagens por Macapá, Sarney ainda não tenha tido tempo de saborear uma Caldeirada de Filhote, no Chalé ou no Cantinho Baiano ou na Peixaria Amazonas.
Além de afirmar que o Amapá é o Estado mais miserável da Federação, o senador José Sarney insiste em chamar a Fortaleza São José de Macapá de forte. Talvez no Amapá só ele e seus correligionários puxa-sacos chamem a Fortaleza de forte. Logo ele, um escritor, com assento na Academia Brasileira de Letras!
Foi usando novamente a tribuna do plenário do Senado que Sarney afirmou que a Fortaleza, que ele chama de forte, estava escondida das vistas do povo. A Fortaleza São José de Macapá nunca esteve escondida; esteve durante muitos anos degradada graças ao abandono dos entes públicos e de diversos representantes com mandato popular, no qual se inclui o senador José Sarney.
Omitir que a recuperação e reforma da Fortaleza foi obra do governador João Capiberibe é um ato de mesquinhez política. Omitir que o projeto de criação do parque do entorno da Fortaleza foi obra de Capiberibe, que o deixou para ser concluído pelo seu sucessor, é mesquinharia. Mesquinho, o senador José Sarney só fala o que é do seu interesse eleitoral. Em seu discurso, aproveita-se da leitura de documentos históricos para discorrer sobre a história da construção, feita com sangue, suor, lágrimas e mortes de milhares de negros e índios.
Espertamente, como o ano é eleitoral, o senador José Sarney dramatiza da tribuna do plenário do Senado sua pretensão em encetar uma campanha nacional para transformar a Fortaleza São José de Macapá, que ele insiste em chamar de forte, em patrimônio da humanidade reconhecido pela Unesco.
Realmente, a Fortaleza São José de Macapá não estava escondida das vistas da população, mas das vistas do senador José Sarney, que só agora a conheceu. Ao contrário de sua concorrente Cristina Almeida, que a conhece de outras gerações, pois foram seus antepassados negros que juntamente com os índios a construíram”.
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