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Moradores de Inhaúma enfrentam dificuldades

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Data de Publicação: 15 de julho de 2006
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Cerca de 100 pessoas estão desabrigadas dede quinta-feira

POR JOSÉ LINHARES JR.

Após a derrubada de suas casas na última quinta-feira, 13, as 15 famílias de agricultores do Inhaúma estão passando por sérias dificuldades. São cerca de 100 pessoas, dos quais mais de 40 são crianças sofrendo com a falta de alimentos, causada pela destruição das roças, e pela condição precária do barracão onde estão instalados. "Já existem crianças com diarréia e alguns dos adultos já estão começando a demonstrar sinais de cansaço pela falta de comida", explicou a lavradora Mariana Rodrigues dos Santos.

O terreno onde as famílias moravam, algumas há mais de 15 anos, foi reivindicado pela professora Maria Nildes Feitosa, que ganhou a reintegração das terras do juiz da 8ª Vara Civil, Luiz Gonzaga Almeida Filho. De acordo com os agricultores, durante a desocupação na quinta-feira, que foi acompanhada por mais de 40 policiais militares, a professora zombou da situação dos lavradores. "Ela ficou do outro lado da rua e disse que iria assistir nossa expulsão de camarote. No início tentamos nos controlar, mas ela começou a dar risadas e quase saiu daqui linchada", disse o aposentado Antônio Xavier Lima.

Um barracão, com cerca de 12 metros, foi improvisado em um campo de futebol como abrigo temporário. "Durante o dia, o sol quente incomoda muito. Já quando chega a noite, ficamos entregues ao frio", informou a lavradora Maria da Conceição Veras Filho.

Revolta e esperança - Os lavradores disseram que nem mesmo as plantações foram poupadas durante a reintegração de posse. "Teve pai de família que chorou e implorou para que ao menos as roças fossem deixadas. Pediram, pensando que poderiam fazer a colheita nos outros dias e garantir, pelo menos, o sustento da família. Mas nada adiantou", disse a lavradora Maria Lindalva Costa.

Mesmo após a destruição de suas casas, os lavradores afirmaram que não vão desistir do terreno. "No Inhaúma não existem invasores! Todos aqui já possuem muito tempo de convivência na comunidade. Conquistamos nossas roças com suor e trabalho, e vamos usá-los para reconquistar nosso terreno", prometeu Maria Lindalva Costa. "Disseram que se nós insistirmos todos nós seremos presos. Pois então nós preferimos ser presos. Afinal de contas, pelo menos na cadeia nossos filhos e filhas terão teto e comida", afirmou o aposentado Antônio Xavier Lima.

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