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Editorial
O silêncio dos coronéis

O silêncio dos coronéis

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Data de Publicação: 11 de julho de 2006
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Eram donos de imensidões, de vastidões de terra, homens muitas vezes brutos, acostumados a brutalizar seus semelhantes. Sua voz naqueles espaços era a lei; eles diziam o que era e o que não era crime; escolhiam os bandidos e nomeavam os heróis.

O romanceiro do Brasil está cheio das histórias dos velhos coronéis que determinavam quem se elegeria e quem não se elegeria, submetendo populações inteira às leis do “quero, posso e mando”, intimidando, através de armas e patrimônios, quem quer que ousasse desafiá-los ou contradizê-los.

O tempo, a modernidade, a evolução da democracia silenciaram aqueles homens velhos, de almas velhas, que, no campo e às vezes também na cidade, durante muito tempo conseguiram contorcer no Nordeste o verdadeiro sentido da liberdade.

Vivemos hoje sob a égide de um novo tipo de coronelismo, o coronelismo eletrônico, que mereceu do Congresso Brasileiro de Jornalistas, encerrado em Ouro Preto no último sábado, reflexões de mentes poderosas do jornalismo nacional e, como não poderia deixar de ser quando se trata de males deste país, arrastou o Maranhão, mais uma vez, nas águas turvas dos crimes contra a população.

Celso Scrhoder, secretário da Fenaj e coordenador do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação, só não espantou os maranhenses presentes quando disse que “Sarney é o caso mais emblemático de coronelismo eletrônico do país: não só barganhou apoio distribuindo concessões, como mantém um oligopólio de comunicações no Maranhão, o que é inconstitucional.

Celso Schodrer entende que Sarney é um símbolo de como se encontra a comunicação antidemocrática no país e que protagonizou um dos piores momentos da comunicação no Brasil ao distribuir, para ficar cinco anos na presidência, mais de 1.500 concessões de rádio e TV em menos de 6 meses, mais ou menos o que já havia sido distribuído em 30 anos”, conforme mostra reportagem da jornalista Kátia Persovisan, (JP, edição de domingo, 9 de julho).

Se é certo que a modernidade silenciou os coronéis que invadiram o Nordeste dispostos a cercar o mundo, mais certo ainda é sua substituição por coronéis eletrônicos do tope de Sarney e Antônio Carlos Magalhães, cujas oligarquias, mantidas acima de toda e qualquer lógica no século 21, aprenderam a manejar o poder da mídia para barganhar votos com a mesma maestria de um coronel de terras dando ordens a seus jagunços.Nas palavras de Raimundo Afonso, também diretor da Federação Nacional de Jornalistas, a concentração dos meios de comunicação nas mãos de políticos é um problema antigo, um absurdo que tem que acabar no país.

O tempo, a juventude, os estudantes nas ruas, povos e populações lutando contra o carrancismo e pela liberdade conseguiram silenciar os coronéis de terra, transformá-los em história ou em passado. Quando a Federação Nacional de Jornalistas aponta para uma urgente reorganização do sistema de rádio-difusão no país e a instalação de novas regras, que inibam esse terrível processo de concessões, está querendo nos ensinar que esses coronéis eletrônicos também podem ser silenciados. Se isto ocorrer, ‘sistemas’ indecentes como o Mirante já não poderão mentir tanto para a população, inclusive acusando pessoas inocentes de crimes que não cometeram.

E isso pode significar o fim dos currais eleitorais eletrônicos impostos pelos proprietários de oligopólios de comunicação.

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