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Caminhoneiros fazem nova manifestação na BR-135

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Data de Publicação: 11 de julho de 2006
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Cada motorista está sendo prejudicado em R$ 1.000, enquanto aguarda para descarregar seu caminhão no Porto do Itaqui

POR AURELIO CARVALHO

Ontem, mais uma vez, 55 caminhoneiros interditaram por cerca de 45 minutos, os dois sentidos da BR-135 em protesto contra as empresas Bunge Alimentos e Cargil Exportadora, exportadoras de soja cultivada no Maranhão. Filas de carros foram formadas pela BR, impedidos de seguir viagem pelo bloqueio de caminhões. Os caminhoneiros utilizaram buzinas, faixas e gritavam a frase "Sua soja está aqui", para chamar a atenção das empresas. Não houve tumulto.

O protesto aconteceu porque há 16 dias, os caminhoneiros chegaram a São Luís trazendo duas mil toneladas de soja que seriam entregues às empresas Bunge e Cargil. Antes de serem exportados, os produtos são examinados pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) que, detectando algum problema, tem o papel de avisar às exportadoras. Acontece que o laudo do exame só foi concluído em oito dias. O resultado deixou claro que a soja estava em perfeitas condições de consumo. Mas como os motoristas tiveram que ficar parados esse tempo todo, eles afirmam que só liberam a soja, se as exportadoras pagarem os prejuízos que estão tendo com estadia e frete. As empresas não aceitaram e por isso, os caminhoneiros do Maranhão, Piauí, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande Sul, Pará, entre outros, ainda permanecem na cidade.

De acordo com o caminhoneiro Paulo Andrade, do Rio Grande do Sul, os prejuízos são de R$ 1.000, diários, por cada caminhão. "Estamos dormindo esse tempo todo dentro dos caminhões. Para comer, nós nos reunimos em grupos de 10 e preparamos a comida dentro do próprio veículo. Está difícil nossa situação. Então queremos o ressarcimento dos fretes e estadias. Esse é um direito assegurado pelo Código Civil Brasileiro", disse Paulo Andrade.

Obstáculo - Além da Bunge e Cargill não quererem negociar, os caminhoneiros contam que mais um obstáculo pode dificultar o relacionamento caminhoneiros/empresa. "A Vale do Rio Doce continua mandando vagões para a cidade de Porto Franco para buscar soja. Se isso continuar acontecendo, as exportadoras irão nos ignorar e nossos prejuízos serão ainda maiores. Agora, se a Vale não mandar os vagões, as exportadoras irão ficar sem soja e precisarão das nossas. Só que nós só entregaremos o produto após uma negociação", explicou o presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), Walter Joner Pereira.

A reportagem do Jornal Pequeno acompanhou o momento em que o presidente da Unicam tentou falar com a direção da Bunge. Ele foi impedido de entrar na empresa, sob a alegação de que só entraria se fosse sozinho. "Somos um sindicato e ninguém negocia individualmente. Se meu grupo, com cinco representantes, não puder entrar, então vamos continuar com o protesto aqui do lado de fora", disse Walter Joner.

Até o fechamento desta matéria, nem a Bunge nem a Cargill haviam se pronunciado sobre o assunto.

CVRD - A Companhia Vale do Rio Doce informou que respeita todos os motivos levantados entre as partes interessadas, mas têm compromissos contratuais assumidos com as empresas-cliente. Desta forma, não pode atender o pleito dos caminhoneiros no sentido de paralisar o carregamento em Porto Franco.

A Companhia reafirmou o seu compromisso no atendimento tanto dos produtores, clientes, quanto dos caminhoneiros e continua disponível para receber os carregamentos de soja.

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