Ala governista nega articulação para desbancar Temer da presidência do pmdb
Brasília – Integrantes da ala governista do PMDB negaram ontem haver articulações para tirar o deputado Michel Temer (SP) da presidência da legenda antes do prazo estabelecido, que é março de 2007.
A operação que estaria sendo articulada colocaria o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), à frente da legenda. Calheiros é, desde o início do governo, um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dentro do partido e trabalhou para que a legenda abandonasse a tese de candidatura própria.
Com isso, num possível segundo mandato, Lula poderia manter contatos institucionais com o partido. Não precisaria, portanto, negociar projetos, nomeações e apoio político com alas da legenda.
O líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), negou que a estratégia esteja em curso. “Não temos nada contra o Michel Temer. Só vamos discutir esse assunto no final do ano ou no ano que vem”, afirmou.
“Não há condições de isso ser feito. Nem o Renan [Calheiros] quer, nem queremos tirar o Temer”, acrescentou.
O jornalista Josias de Souza, da Folha de São Paulo, divulgou em seu blog que, num encontro ontem à noite, o naco governista do PMDB discutiria com Lula os termos do manifesto pró-reeleição a ser divulgado nos próximos dias. O mesmo grupo, segundo ele. trama a destituição do deputado Michel Temer (SP) e de seu grupo da direção do partido.
O PMDB terá de eleger um novo comando em março de 2007. Desde já, os governistas maquinam contra a sobrevivência de Temer na presidência do partido. À surdina, o nome de Renan Calheiros (PMDB-AL) freqüenta os diálogos privados como alternativa.
A sucessão presidencial levou ao paroxismo a divisão interna do PMDB. Temer manteve um flerte com Geraldo Alckmin (PSDB) mesmo na fase em que tentava pôr de pé um presidenciável peemedebista. Junto com José Sarney (PMDB-AP), Renan entregou-se ao assédio de Lula, dono de um dote atraente.
A troca de Temer por Renan interessa a Lula. O presidente deseja dar ao diálogo que mantém com o PMDB ares institucionais. Algo que seria obtido com a acomodação de um de seus interlocutores na direção da legenda. Lula tentou atrair o PMDB para um casamento formal, de papel passado. Mas a divisão do parceiro, levada às últimas conseqüências nas alianças estaduais, não permitiu.
Tenta-se agora firmar uma parceria que, embora informal, pareça estável. A maneira encontrada para dar aparência sólida a algo que é gelatinoso foi a elaboração de um manifesto. Programado para sair nos dias subseqüentes ao lançamento da candidatura reeleitoral de Lula, o documento vem sendo postergado. O motivo é constrangedor.
Em reunião com Lula, há cerca de três semanas, Sarney prometera agregar ao manifesto a assinatura de 21 presidentes de diretórios estaduais do PMDB. Era um blefe. Àquela altura, o cacife dos governistas resumia-se a onze fichas. E eram fichas de pouca densidade eleitoral. O Estado de maior peso era a Bahia.
Com algum esforço, o PMDB de Lula conseguiu arrastar para o pano verde mais duas fichas. E se esforça para agregar pelo menos mais quatro diretórios. Do eixo Sul-Sudeste, o que mais interessa a Lula, só Minas prometeu assinar o documento. O Paraná hesita. Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina devem ficar de fora.
A troca de comando no PMDB está condicionada às chances eleitorais de Lula. Se o presidente prevalecer sobre Alckmin nas urnas, dificilmente o grupo de Temer conseguirá reter a direção do partido. Animado com a tênue recuperação de Alckmin nas pesquisas, o PMDB não-governista descruzou os braços.
Auxiliado pelo deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), um dos mais profundos conhecedores da máquina partidária, o grupo anti-Lula arma suas barricadas. Enfrenta uma arma letal para um partido de matiz fisiológico: a caneta de Lula. Com um único movimento de pena, o presidente acomodou nos Correios quatro apadrinhados do PMDB que lhe é fiel.