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Edição 21,937
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Editorial
Gladiadores da liberdade

Gladiadores da liberdade

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Data de Publicação: 1 de julho de 2006
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A empolgação necessária de quem se sente parte de uma luta, de quem carrega no peito um ideal, ou se sente parte ativa de uma causa, pode ser percebida nas convenções que se realizaram no feriado de São Pedro, quando pelo menos cinco correntes das oposições levantaram a bandeira de pôr fim ao império Sarney, ao sarneisismo no Maranhão.

Não foi aquela coisa caricata da convenção da candidata do PFL, arrastada em poucas horas por convencionais adstritos que ali pareciam estar apenas para cumprir a função programática de se livrar de uma vez por todas de uma obrigação legal.

Não era gente fria a que se acotovelava nos espaços do Grêmio Lítero Recreativo Português ou no imenso ginásio do Colégio Upaon Açu. Era mais que isso. Era gente disposta a romper com um ciclo de dominação que já estafa a gente maranhense.

Delegações de diversos municípios desembarcaram em São Luís com a altivez de quem se prepara para encarar uma luta, trazidas por lideranças que falavam a mesma linguagem política como se assim tivessem decorado todos os sinais da liberdade.

Pregaram, sim, o fim da tirania, o desejo de mudança, o desejo de participação na vida pública. Todas as classes sociais estavam ali representadas e a única diferença que se podia perceber entre a euforia dos homens que rufavam tambores e a euforia dos comandantes de partidos que se alojavam nos palcos ficou por conta das vestes. No mais, todos os rostos desenhavam o mesmo propósito: o de pôr fim ao sarneisismo no Maranhão, dar um fim na mais longa oligarquia do Nordeste brasileiro.

O candidato a governador do PSB, Edson Vidigal, interpretou esse espírito ao condenar a “concubinagem rasteira” utilizada por seus adversários para dar a impressão de que têm o apoio do presidente da República. Nem o tecnicismo de um Plano de Metas, apresentado no auge de uma festa cívica, fez arrefecer os ânimos dos gladiadores da liberdade dispostos a batucar com força na cabeça da oligarquia.

Gladiadores que se juntam para enfrentar o merchandising das ilusões, as telas violetas dos televisores onde as mentiras ganham a aparência de verdade e os tiranos surgem travestidos de papas ocasionais. O Sistema Mirante está matando a realidade com a mesma insólita disposição com que ações entradas no Tribunal de Contas do Estado estão matando de raiva e dor pobres assalariados, que como qualquer cristão, gostariam de ter uma casa e uma rua asfaltada com água, luz e esgoto, coisa que a filosofia de sanatório de João Alberto, Roseana e Sarney não consegue admitir. Não lhes basta o fato de que eles não têm voz, nem saúde; é preciso também que não tenham onde morar.

A essência transparente deste verdadeiro furor de aspirações sustenta-se na imagem de um povo cansado dessa cultura de pão e circo que se instalou no Maranhão (no caso presente, a tela da TV e a cachaça dos “Vivas”) a partir do Governo Roseana Sarney. É este ciclo que os Gladiadores da Liberdade pretendem romper, hasteando bem alto uma bandeira de luta, que, a partir de decisões tomadas pelo governador José Reinaldo, haverá de tremular insistentemente se lograrmos manter a unidade das oposições.

As convenções mostraram que o que vivemos até aqui, inapelavelmente, foi uma quarentena de anos de crueldade inútil, em que um povo ofuscado pelos holofotes da “Vênus Platinada” deixou-se cair submisso à vontade de déspotas que o despojaram de suas virtudes de cidadania.

As propagandas oficial e oficiosa, utilizadas tanto tempo contra o povo maranhense como objeto de excitação, como praga ou artilharia psicológica, ajudaram a manter Sarney no poder até agora. Uma germânica presença nacional-socialista de Sarney em toda parte serviu para empanar o poder de reflexão dos que o rodeavam. Felizmente, um esforço circunstancial do Governo e pessoal do governador fez com que toda essa gente sentisse o cheiro e talvez até o sabor de liberdade. E liberdade vicia. Portanto, que os gladiadores se mantenham a postos. A luta ainda não acabou.

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