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PolíticaAgenda de Edemar envolve Sarney em projeto suspeito

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27 de maio de 2006
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Em 23 de agosto de 2005, uma outra matéria da Folha de São Paulo revelava que a Polícia Federal havia apreendido uma agenda de Edmar que envolvia Sarney num projeto secreto.

“O banqueiro Edemar Cid Ferreira, dono do Banco Santos, em liquidação extrajudicial desde maio deste ano” – dizia a reportagem –, “depôs por mais de 8 horas na 6ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo.

Dois documentos apreendidos pela Polícia Federal na casa de Edemar, em março deste ano, mostram que, ao contrário do que tem afirmado o banqueiro, ele estava ativamente à frente dos negócios, tentando salvar o banco - antes e depois da intervenção do Banco Central. No primeiro documento, uma agenda de tarefas listadas por Edmar no dia 1 de novembro de 2004 – 11 dias antes da intervenção do BC – está citado o nome do senador José Sarney em dois itens, 26 e 27. No item 26: “Eletrobrás -Arlindo Silas - presidente - Sarney - Eletros”. E no item 27 de forma telegráfica: “Sarney a) Projeto do Exército, b) Eletrobrás”. Sarney foi procurado pelo jornal Folha de São Paulo e negou ter qualquer relação com o Banco Santos, afirmando, ainda, que desconhece o “Projeto do Exército”.

A agenda de tarefas listadas por Edemar revela como ele pretendia levantar recursos para cobrir rombos no banco. Da sua estratégia faziam parte a criação de um fundo de precatórios, a obtenção de R$ 700 milhões na linha de redesconto do Banco Central e de US$ 10 milhões de uma linha de empréstimos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para empresas do Nordeste.

Nesse esforço para manter-se à tona, Edemar pretendia usar as boas relações que cultivou ao longo da vida de banqueiro e de mecenas das artes com importantes figuras da República. Constam do follow-up, para serem contatados, desde o senador José Sarney, amigo de longa data, ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, passando pelo então presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho.

“Esse documento mostra que, no dia 1º de novembro, ele montou uma agenda para recorrer a todas as pessoas públicas que pudessem ajudar a salvar o banco”, diz o advogado Ricardo Tepedino, do escritório Sérgio Bermudes, um dos contratados por Edemar. “Mas nada disso funcionou, alguns nem chegaram a ser procurados. Essa é a agenda de um fracasso”, acrescenta.

Sarney envolvido –Dos notáveis a serem contatados pelo banqueiro, apenas um confirma ter falado com ele: o ministro Thomaz Bastos, que aparece na lista de tarefas de Edemar no item 19, da seguinte forma: “MTB a) s/ Palocci, b) Cássio Casseb”.

Thomaz Bastos foi advogado de Edemar em diversas causas antes de ir para o governo. Por isso, segundo Tepedino, teria sido procurado pelo banqueiro.

O ministro confirmou, por meio de sua assessoria, que falou por telefone com o banqueiro no dia 3 de novembro. No entanto ele diz não ter intermediado nenhum contato com outras áreas do governo. Já o senador Sarney aparece na agenda de Cid Ferreira nos itens 26 e 27. No item 26: “Eletrobrás -Arlindo Silas - presidente - Sarney - Eletros”. E no item 27 de forma telegráfica: “Sarney a) Projeto do Exército, b) Eletrobrás”. Procurado pela Folha, Sarney disse que nunca teve nenhuma relação com o Banco Santos que não fosse a de depositante.

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