
Assassino confesso, ele usou uma pistola com silenciador nas “execuções”
Considerado, até então, uma pessoa aparentemente normal, o mototaxista Valdinar Lindoso Ferreira, 34 anos (Rua Nagib Feres, casa nº 34, Monte Castelo), assassinou a tiros de pistola, de maneira fria e covarde, a sua ex-mulher Helen Rose dos Inocentes Ferreira, 31 anos, e o filho do casal, Erick Ricardo Matos Ferreria, de sete anos. Em seguida, ele bateu na casa vizinha e também matou o ex-sogro Raimundo João dos Inocentes, 60 anos; a ex-sogra Maria José Matos dos Inocentes, 57 anos, e a ex-cunhada Érika Rosana Matos dos Inocentes, 27 anos. A outra ex-cunhada, Eliana Rosely Matos dos Inocentes, 24 anos, também foi atingida com um tiro na boca, mas sobreviveu e não corre risco de morte, embora permaneça internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Centro Médico Maranhense. A tragédia, que abalou e revoltou os moradores do Monte Castelo, ocorreu por volta das 3h da madrugada de ontem, na Rua Marechal Lott, naquele bairro, nas casas 53 e 39. Valdinar foi preso e autuado em flagrante.
Pistola com silenciador e prisão – Para praticar as execuções sumárias, Valdinar Lindoso utilizou uma pistola calibre 380, com silenciador, para ocultar o barulho dos tiros, embora os gritos de pânico e terror das vítimas tenham acordado a vizinhança, que saiu de suas casas para ver do que se tratava. Ao ser preso, segundo a polícia, ele confirmou ter cometido os crimes e indicou o local onde estava a arma: embaixo da cama da atual namorada. Ele usou uma pistola 380, de fabricação espanhola, equipada com um silenciador caseiro.
Alguns dos vizinhos ainda viram quando o mototaxista fugia em sua moto, com uma das mãos sangrando. Lindoso foi preso meia hora depois, por policiais militares, quando fazia um curativo no Hospital Clementino Moura (Socorrão II), tendo em vista que se feriu em meio às execuções. Conduzido para o Plantão Central Beira-Mar, ele foi autuado em flagrante pelo delegado José Antônio Álvares Mendes Sobrinho, que o indiciou por homicídio triplamente qualificado. O delegado Sobrinho declarou que o uso da arma com silenciador configura a premeditação, o que é mais uma agravante contra o acusado.
“Matei para salvar meu filho” – Demonstrando tranqüilidade, embora aparente, Valdinar Lindoso Ferreira contou ao delegado que matou o filho “para salvá-lo, porque o garoto estava freqüentando com a mãe, os avós e as tias a igreja evangélica Testemunhas de Jeová”, contra a vontade dele. Lindoso não permitia o envolvimento do filho, “que estava sendo contaminado pelo fanatismo religioso da família da mãe”, asseverou. Ele disse, também, que era perseguido pela família da ex-mulher pelo fato de não ser evangélico. Interrogado sobre a procedência da arma (que ele escondeu na casa da atual namorada, no São Raimundo), Lindoso disse que a comprou de um caminhoneiro e que, com o silenciador, saiu por R$ 1.300.
Outra motivação – Para o delegado, o crime pode ter outra motivação. “Ninguém sabe o que passa na cabeça das pessoas.” O mototaxista deve ser ouvido novamente durante o inquérito. Segundo o delegado, Ferreira não tem passagem anterior pela polícia nem a família registrou ocorrência contra ele. A Folha não conseguiu falar com a família do acusado.
Familiares contestam – Familiares das vítimas, por outro lado, contestam a afirmativa do autor dos crimes, de que sofria perseguição religiosa da família da ex-mulher, porque não freqüentava o templo. Ontem mesmo, logo após a lavratura do auto de prisão em flagrante, Lindoso foi transferido para um dos xadrezes do 1º Distrito Policial (Centro), mas o inquérito para apurar as causas e circunstâncias dos cinco homicídios já foi instaurado e será concluído no 8º DP/Liberdade.
Igreja descarta fanatismo - Rosalino Pereira Filho, assessor de imprensa da igreja “Salão do Reino das Testemunhas de Jeová”, explicou que a igreja foge de qualquer parâmetro de fanatismo. “Não se sabe ainda o motivo que levou a esta tragédia. Foi um problema de ordem familiar, e não tem nada a ver com a questão do fanatismo”, disse o assessor.
Depois de liberados pelo IML, os corpos das vítimas foram removidos para o Salão do Reino das Testemunhas de Jeová, localizado na Rua Catulo da Paixão Cearense, na Vila Passos, onde foram velados.
Divórcio pode ter sido a causa - De acordo com João Figueiredo, amigo da família, que foi ouvido pelo Jornal Pequeno, Valdinar Lindoso era uma pessoa tranqüila e nunca havia demonstrado nenhum tipo de agressão. Ele disse também que o motivo que possa ter levado a esta tragédia é que ele e a ex-esposa estavam em processo de divórcio, proposto por Helen. Valdinar não queria aceitar. “Toda a família freqüentava a igreja, menos ele. Ele visitava o filho regularmente. Nunca imaginávamos que ele iria fazer isso”, falou Figueiredo, emocionado. Segundo Figueiredo, Valdinar e Helen Rose viveram juntos durante cerca de quatro anos e há dois anos estavam separados.
Um irmão de Helen Rose, que não estava na casa na noite do crime, disse ao amigo que o mototaxista queria retomar o casamento, mas a ex-mulher não aceitava. Segundo Souza, Ferreira não é testemunha de Jeová. “Ela não tem nada a ver com a religião”.