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Professora não consegue marcar cirurgia para retirar um tumor

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24 de março de 2006
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AULA DE DESUMANIDADE

“Votei no Ildon e trabalhei para ele estar onde está [no cargo de prefeito], e agora, quando preciso, tenho de passar por essa humilhação”, disse Maria Brandão, professora municipal há 18 anos

Por: Oswaldo Viviani

A professora municipal Maria de Sousa Brandão Coelho, de 53 anos, denunciou ontem à sucursal do Jornal Pequeno em Imperatriz que não está conseguindo marcar uma cirurgia urgente para extração de um tumor de mais de 4 quilos que está crescendo em seu abdômen.

Segundo a professora – que exerce o magistério há 18 anos –, há apenas três médicos em Imperatriz aptos para realizar o procedimento cirúrgico gratuitamente, e todos estão com agenda cheia até o final do mês de julho. Eles atuam no Hospital Municipal (Socorrão) e no Hospital Santa Mônica (particular, mas que atende pacientes do SUS).

“Os próprios médicos com quem me consultei até agora garantem que eu não posso esperar quatro meses para me operar. Eles dizem que minha cirurgia é ‘para ontem’, pois o tumor está se expandindo a cada dia”, afirmou a professora Brandão ao JP.

A professora – que não tem condições de pagar uma cirurgia particular, que custa em torno de R$ 3 mil –, contou que já tentou falar com o prefeito Ildon Marques para que ele interviesse para agilizar sua cirurgia.

Só conseguiu ser recebida por assessores do prefeito (o ouvidor Raimundo Polegada e o coordenador da Defesa Civil, Chico Pelicano), que pediram cópias de todos os exames que ela já fez, mas nada resolveram até agora.

‘Humilhação’ – “Eu votei no Ildon e trabalhei para ele estar lá onde ele está [no cargo de prefeito], e agora, quando preciso, tenho de passar por essa humilhação, ninguém se dispõe a dar uma solução para mim. Eu não estou pedindo dinheiro nem emprego. Meu caso é de saúde e envolve risco de morte”, revoltou-se a mestra.

Com a barriga inchando dia a dia, a professora Brandão tem vivido dias de muito sofrimento. Quase não está podendo andar – o que a impede de fazer o que mais gosta: lecionar para as séries do Fundamental da Escola Darcy Ribeiro, no Parque São José. Também se alimenta pouco e tem constantes episódios de vômito, além de não conseguir dormir direito.

Ontem, uma assessora de Helena Aires (secretária municipal da Educação), de nome Evani, procurou a professora Maria Brandão e também solicitou cópias de todos os seus exames, que foram fornecidas pela segunda vez ao pessoal do prefeito. Evani, no entanto, não deu qualquer previsão de quando a cirurgia para retirada do tumor poderá ser realizada.

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