(Com textos do livro A ÁGUIA LIBERTÁRIA, dos jornalistas Othelino Filho e Othelino Neto, a ser lançado em dezembro de 2006).
Vamos à luta para reverter lógicas cruéis e desumanas!
Ninguém deve estar absolutamente imune a determinados surtos, até mesmo de esdrúxulas megalomanias como as de natureza intelectual. Em alguns casos, os devaneios ficam circunscritos ao infinito espaço do imaginário, gerando situações ridículas, vexatórias e às vezes deprimentes sob o ponto de vista da dignidade humana em relação à vítima da insanidade. Alguns discursos e entrevistas do Sr. José Sarney, de princípio, passam essa idéia um tanto quanto estapafúrdia. A de quem, depois de vivenciar experiências vitoriosas nos planos político, econômico, literário, etc., de repetente, ao sentir-se sob ameaças de situações "injustas e despropositadas", brada aos céus que, em sendo uma "entidade superior", "acima do bem e do mal", "senhor absoluto" do Maranhão e de regiões alhures, jamais estaria sujeito às lógicas que determinam a evolução da vida, nos âmbitos individual e coletivo, ao processo histórico e nem mesmo à inexorabilidade do tempo, uma vez que é "imortal".
Se de fato as manifestações egocêntricas apenas satisfizessem o ego atormentado do velho cacique cansado de guerra não haveria razão alguma para preocupações, uma vez que os maranhenses já se acostumaram com as fanfarronices do "estadista" de Curupu. E os brasileiros estão finalmente conhecendo a verdadeira personalidade do chefe da mais antiga, devastadora e odienta oligarquia nacional, enfim derrotada. Um grupo político que, durante quadro décadas, utilizando-se das práticas colonialistas mais retrógradas e cruéis, transformou um dos estados potencialmente mais promissores do País, num imenso bolsão de miséria. Numa unidade federativa que, a despeito de estar renascendo das cinzas, já expôs os indicadores socioeconômicos mais baixos do Brasil, equiparados aos mais humilhantes do planeta. Mais de 2/3 da sua população vivendo aquém da linha de pobreza, subordinada à impiedosa ação do crime organizado, com os seus poderosos tentáculos disseminando a violência nas suas formas mais trágicas.
Acontece que, infelizmente, a história registra em suas páginas irrefutáveis desdobramentos estarrecedores que se seguiram aos desmandos de muitos outros pseudo-estadistas nos diversos continentes em épocas distintas ou coincidentes na longa caminhada humana. Não seria sequer possível - quanto mais oportuno - nesse espaço retrocedermos a civilizações remotas em busca de elementos esclarecedores. Mas talvez seja conveniente principalmente a nós, cristãos, ainda que sem a recomendável profundidade, tentarmos compreender as razões pelas quais estamos na atualidade fazendo eco a sentimentos altaneiros de nossas lideranças espirituais, suplicando perdão em face de tantos absurdos cometidos por nossos antepassados. Se Deus quiser o exemplo de virtuosa humildade de João Paulo II será seqüenciado pelo Papa Bento XVI. As atitudes servirão pelo menos para amenizar culpas milenares. Antes tarde do que nunca. Principalmente na esperança de que a barbárie não se eternize!
Não devemos mesmo simplesmente esquecer os saques impiedosos sobretudo a Constantinopla e ao sul da França patrocinados pelo Papa Inocêncio III, na passagem dos séculos XII e XIII, tendo os judeus entre as principais vítimas. Se as motivações religiosas e morais foram ignominiosas, a obstinada luta da Igreja pelo poder temporal cotejando os limites de dominação e se confundindo com Estados totalitários e egoístas não foi menos vil! O Tribunal de Inquisição criado pelo Papa Gregório IX, em 1231, e que condenou inocentes à morte em fogueiras, estrangulamentos e pela prática de torturas insuportáveis, também não pode ser lançado à poeira do tempo na tentativa de apagar-lhes os desatinos. Porque a história é feita e consolidada pela memória do mesmo tempo. É imoral permanecermos com tanta imundície sob o tapete da hipocrisia, assegurando uma impunidade que viria a cobrar sucessivas vezes preços impagáveis!
Quando a 2ª. Guerra Mundial já estava definida em favor dos aliados, no dia 6 de agosto de 1945, o presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, ordenou o lançamento do primeiro arsenal nuclear sobre uma cidade. Um minuto e meio depois do "feito", uma bola de fogo destruiria Hiroxima, dizimando milhares de pessoas de imediato e não se têm números exatos das vítimas fatais por irradiação. Três dias depois, seria a vez de Nagasaki. Outra bola de fogo, quase a metade da cidade em ruínas, 39 mil pessoas mortas e mais 25 mil feridas. Estava testada e aprovada a bomba atômica. A quantidade de inválidos, dos mortos posteriormente e dos nascidos contaminados não é conhecida com precisão.
Antes, porém, Hitler já havia executado o seu inominável espetáculo de horror que a humanidade não poderá esquecer nem no final dos tempos, se realmente houver! Dispensam-se os detalhes mais mórbidos sobre a escalada tirânica do "fhürer", insano comandante supremo do nazismo. Calcula-se que seis milhões de judeus tenham sido mortos - das maneiras mais torpes possíveis - no que se convencionou chamar de holocausto. Aproximadamente 13% dos 46 milhões de civis e militares sacrificados ao longo da guerra.
Antes e depois dos dois grandes conflitos mundiais, raros terão sido os momentos de trégua entre povos do mesmo planeta por razões que vão desde o mais antigo espírito aventureiro pela ampliação de novas conquista territoriais aos mais contemporâneos interesses estratégicos de hegemonia política, econômica, militar cultural e dos recursos naturais disponíveis. O divisor de águas entre o passado e o presente é o uso e abuso dos avanços tecnológicos e das conquistas científicas - outrora inimagináveis em favor dos interesses mais escusos. Tudo como se o processo evolutivo não fosse fruto da inteligência humana e por uma exigência superior inteiramente subordinado à causa do bem-comum. Avilta-se o bom-senso e se põe em risco a própria perpetuação da espécie ao se afrontarem os princípios basilares do cristianismo fundamentado na liberdade, na justiça, na igualdade, na solidariedade e na consciência da indispensável preservação na natureza.
Entre Bush (pai) e Bush (filho), cercados por satélites subalternos em volta das "estrelas de quinta grandeza" e de oportunistas e tiranos periféricos, pontifica a expressão da supremacia de nações sobre nações, homens sobre homens à luz de parâmetros essencialmente desleais e hediondos. Minorias privilegiadas que se impõem de forma plenamente desigual e egoísta para assegurar uma dominação a qualquer preço. Mesmo que seja à custa do sangue, suor e lágrimas de habitantes da mesma Terra, edificada para que todos tenham o direito de nela viver em ambiente de respeito, fraternidade e amor! Assim como se comportam as superpotências sufocando os países pobres, as oligarquias agem em relação às pessoas humildes, exploradas, perseguidas e marginalizadas. Enfim, pôs-se um basta à opressão e à exploração! Agora é lutar para reverter lógicas tão cruéis quanto desumanas.
Nossa Senhora da Conceição, Mãe da misericórdia, protetora dos aflitos, defensora da paz, da liberdade e da justiça, às vésperas do seu grande dia - aliás, todos os dias-santos são seus - rogai e intercedei pela humanidade; pelos brasileiros e pelos maranhenses! Estimulai o ânimo, a consciência política, a capacidade de trabalho e a responsabilidade social da Frente de Libertação do Maranhão. Fazei com que se redobrem a determinação e o espírito público do governador que termina, José Reinaldo, e do que começa o mandato, Jackson Lago, para insistir, persistir, comandar e vencer definitivamente a luta libertária. A batalha política foi heroicamente vencida. Romper para sempre as fronteiras históricas do atraso e alavancar a construção de um Estado economicamente desenvolvido - em bases sustentáveis - e socialmente justo, é uma missão que leva algum tempo e exige doação, zelo e amor plenos à causa coletiva, virtudes explícitas na vida desses líderes. Que as consagrem nas conquistas. Amém!
(othelinofilho@yahoo.com.br).