Agentes de viagem põem Gol e TAM na JustiçaPor Aurelio Carvalho
A Associação Brasileira das Agências de Viagens do Maranhão (Abav/MA) decidiu ontem, 27, em assembléia, entrar na Justiça contra a empresa Gol Linhas Aéreas. A ação judicial diz respeito à redução dos lucros das agências de viagens sobre as vendas de passagens da Gol. De acordo com a companhia aérea, a partir de 1° de janeiro, a comissão percentual das agências cairá de 10% para 7% (vôos nacionais) e de 9% para 6% (vôos internacionais). A Abav e os diretores da agências consideram a redução abusiva e resolveram lutar na justiça contra a decisão da Gol.

A presidente da Abav/MA, Ana Carolina Medeiros, teme demissões em massa e fechamento de agências de viagens, caso a decisão da Gol permaneça. "Com essa redução do comissionamento, se torna inviável manter a qualidade dos serviços. O cliente sentirá que está mal assessorado, e desistirá da compra da passagem por meio da agência", disse Ana Carolina Medeiros. "Para se ter uma idéia, as agências de viagem investem de uma hora em uma hora e meia na venda de um pacote de viagem. Tudo isso com o objetivo de proporcionar ao cliente uma viagem tranqüila, sem problemas. O que a Gol está querendo fazer é centralizar as vendas apenas pelo Call Center ou pela internet - serviços que dependem diretamente de São Paulo, apenas. E os outros locais, como ficam, já que essa é uma medida para todo o Brasil? A tendência é fechar agências e demitir funcionários", completou.
De acordo com Ana Carolina Medeiros, existem hoje, em São Luís, 37 agências de viagens cadastradas pela Abav, sendo um total de 67 agências em toda a capital. Segundo a presidente da Abav, as agências são responsáveis por cerca de 80% das vendas de passagens aéreas. "Então, para a companhia, é mais cômodo diminuir a comissão das agências e fazer com que o cliente compre diretamente na Companhia Aérea. A Gol fala em redução de custos. Mas, no entanto, não explica para onde vai o dinheiro que será ganho com a redução do comissionamento das agências - que deveria ser investido em benefício do consumidor final", disse Ana Carolina Medeiros.
Antes da Gol, a TAM também havia resolvido diminuir o percentual das agências. No entanto, a Abav entrou com uma ação judicial e conseguiu que a justiça mantivesse o percentual anterior. "Com a TAM, pelo menos há diálogo. Estamos sempre em reunião. Mas a Gol está irredutível em sua decisão - o que nos obrigou a acionar o judiciário e não desistir de defender o nosso ponto de vista sobre o assunto", finalizou a presidente da Abav.
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