(drpeta@box.elo.com.br)
Caro Dr. Pêta;
Eleitor ou palhaço?
A classe política desdenha do povo e cada vez menos gente grita contra os abusos. A canalhada, com QG instalado em Brasília, deita e rola no imenso vazio de cidadania crítica que reina no nosso país continental. Um exemplo é a apatia dos brasileiros diante do vergonhoso aumento de salários para os congressistas, o que já desencadeou (como esperado) uma série de aumentos nos legislativos estaduais e municipais.
Enquanto o mínimo foi reajustado em apenas 8%, para deputados e senadores o aumento foi de quase 100%. Um escárnio. Deu em tudo que é jornal e não houve sequer uma considerável manifestação popular contrária. Apenas atos isolados, de pouca repercussão. Nada comparável à histeria verificada nas ruas por conta da recente vitória do Internacional, por exemplo.
Deve ser por esta e outras razões que, para a maioria dos parlamentares, toda essa acanhada onda de indignação contra aumentos nos salários da nata de paletó e gravata é puro fogo de palha. Depois das festas natalinas e de virada de ano, 2007 virá com muita farra e feriado. O primeiro grande anestésico é o carnaval. Logo ninguém falará mais nisso.
Sinceramente. Estou cada vez mais propenso a aceitar a máxima de que “ser alienado é muito melhor”. Considerando que a maioria do povo brasileiro é “interessante”, por ignorar as questões políticas e acompanhar atentamente o desenrolar de looongas novelas, mexericar sobre a vida de “estrelas” globais, acessar blogs e flogs para dizer “ois e fuis” e assistir a programas bestas e alienantes, não seria absurdo aceitar que, nas próximas eleições, como comprovante de votação, os eleitores recebessem do Judiciário um nariz de palhaço.
(Antonio Rezende – poeta e jornalista em Palmas – T))o.
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