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Eficiente, prótese cardíaca aumenta risco de trombose

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Data de Publicação: 18 de dezembro de 2006
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CONSTANÇA TATSCH

Especialistas se reuniram para discutir a utilização do dispositivo farmacológico e expectativa é que parecer seja favorável ao produto

Há poucos dias, um grupo de especialistas se reuniu no FDA para avaliar a segurança do uso de stents farmacológicos. O debate surgiu em razão de estudo que apontava aumento do risco de trombose. Embora a agência federal americana que fiscaliza alimentos e medicamentos ainda não tenha se manifestado oficialmente, espera-se parecer favorável ao dispositivo.

Os stents são pequenas próteses, como malhinhas de metal, que servem para desbloquear artérias onde formam-se placas de gordura e mantê-las abertas. São colocados por meio de uma angioplastia quando um cateter é inserido e leva um balão com o stent. Ao chegar ao ponto de obstrução, o balão é inflado, posicionando definitivamente o dispositivo.

O convencional é usado há cerca de 20 anos e diminuiu sensivelmente os riscos da angioplastia com balão. Tem o inconveniente de formar reistenose, espécie de cicatrização excessiva formada na parede do vaso, que pode voltar a entupir a artéria. Isso ocorre em 20% dos pacientes.

Para evitar esse risco, passou a ser usado também, há sete anos, o stent farmacológico. O dispositivo conta com remédios que são lançados em pequenas doses ao longo de um mês para inibir essa reação do organismo, diminuindo a freqüência do problema para menos de 5%.

Porém, os stents farmacológicos ficam com as hastes mais expostas no vaso e aumentam o perigo de haver uma trombose. Segundo especialistas, o risco passou de 0,5% ou 1% para 2%.

“O lado bom é que não há reobstrução. O ruim é que pode ter tendência à formação de coágulo, que pode causar a trombose. Tudo tem um risco, mas o benefício tem que ser maior”, afirma Alexandre Abizaid, chefe da seção de intervenção coronária do Instituto Dante Pazanezze, que esteve no painel do FDA.

“A primeira conclusão do FDA, que ainda não emitiu parecer oficial, é que os antiagregantes plaquetários [aspirina ou clopidogrel] devem ser tomados por um ano. A outra é que o risco é maior em pacientes mais complexos [que necessitam de inúmeros stents ou que têm placas de gordura muito longas]”, diz Abizaid. “O mundo criou tanta confiança nesses dispositivos, que expandiu as indicações para áreas em que não havia tantos estudos. O FDA deu uma palavra de cautela para essas situações. A reunião foi muito positiva”.

De acordo com Valter Correia de Lima, professor de Cardiologia da Unifesp e autor de estudos sobre o tema, ocorrem entre 4 a 5 casos de trombose tardia por 1.000 pacientes/ano. “Apesar de raro, é grave porque metade dos pacientes com trombose morrem e os outros têm infarto”, afirma. Apesar disso, o cardiologista considera o stent farmacológico ‘um avanço extraordinário’.

“Há duas maneiras de tratar uma pessoa que tem as artérias obstruídas por acúmulo de gordura: ou faz a angioplastia com o stent ou a cirurgia de ponte de safena”, diz Luiz Alberto Mattos, presidente da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista.

A mortalidade nesse tipo de cirurgia é de 2% a 3% e podem ocorrer complicações neurológicas, hemorrágicas ou uma infecção hospitalar.

São realizados no Brasil 35 mil procedimentos de angioplastia registrados ao ano, sendo que 95% envolvem a colocação de stents, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista.

Desses procedimentos, apenas 30% envolvem os stents do tipo farmacológico porque o Sistema Único de Saúde cobre apenas os convencionais.

A razão para isso, segundo especialistas, é exclusivamente monetária. O stent comum custa cerca de R$ 2 mil, contra R$ 12 mil a R$ 15 mil.

“O reembolso que o governo teria que assumir inibe. Até para países abonados como os Estados Unidos, onde os farmacológicos são oferecidos pelo Estado, não foi fácil”, afirma Luiz Alberto Mattos, presidente da SBHCI.

“Muitos pacientes nos quais eu poderia colocar o stent, encaminho para fazer a cirurgia de ponte de safena porque não pode colocar pelo SUS. Não é uma questão de mérito, é de orçamento. Mas o problema hoje é muito menor do que há um ano”, afirma o cardiologista Valter Correia de Lima sobre o declínio de preços.

Atualmente mais de 30 empresas são autorizadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a vender stents. A maioria absoluta trabalha com o tipo convencional.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. Quem não deve colocar o stent farmacológico?

Quem tem maior risco de ter problemas com o stent farmacológico são pacientes que precisam de inúmeros stents ou que têm placas de gordura muito longas. Mulheres em idade fértil, embora geralmente tenham baixo risco de precisar de um stent, também não devem fazer essa opção pois o antiagregante clopidogrel não deve ser tomado por grávidas.

2. Por que drogas como aspirina e clopidogrel são recomendadas?

Esses medicamentos são recomendados com objetivo de evitar tromboses para quem coloca o stent farmacológico. O FDA recomenda que sejam tomados por um ano. Por outro lado, não devem ser usados inadvertidamente, uma vez que aumentam um pouco o risco de hemorragias.

3. Quem tem tendência a desenvolver reistenose?

O excesso de cicatrização é mais comum entre diabéticos, quem tem artérias muito finas ou pedaços doentes da artéria muito longos.

4. As pessoas que já colocaram stent farmacológico devem se preocupar?

Não. Os pacientes devem conversar com os seus médicos, fazer exames, mas não há razão para alarde.

Depoimento

Teriam que abrir meu peito; achei melhor o stent

Em 1999 eu enfartei, aos 48 anos, em razão de um problema genético. A artéria teve 95% de entupimento, então meu caso era um pouco grave.

Fizeram um cateterismo e os médicos acharam que eu devia colocar o stent, que estava sendo desenvolvido no Dante Pazanezze. Era um caso de entupimento quase que total, eles teriam que abrir meu peito, precisaria de cirurgia. Achei melhor o stent.

Lembro como se fosse hoje, não é muito bom não, porque a anestesia é local. A gente assiste a todo o procedimento. Acompanhei o cateter por vídeo e a única coisa que senti era mexer por dentro de mim, mais nada.

Mas na hora que saí da mesa de cirurgia, parecia outra pessoa, senti diferença na hora. Porque com a artéria entupida, a gente não respira direito, o coração parece que bate mais acelerado, é horrível ser uma pessoa infartada, ainda mais no meu caso.

Hoje é como se nunca tivesse tido um infarto. Estou muito bem. Faço acompanhamento, mas não tive mais problema. Eu vi as notícias sobre o problema da trombose. Não cheguei a ficar preocupado porque sou monitorado, faço exames e até agora nada. Estou muito bem, graças a Deus e ao stent.

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