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Espaço do leitor: O coma social

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Data de Publicação: 10 de dezembro de 2006
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Celso Coutinho*

Esta é uma expressão - coma - muito usada na terminologia médica, mostrando riscos de vida, quadros graves de saúde, anunciando até desfechos funéreos que deixam dor, tristeza e saudade para aqueles que ficam e que, ainda, não estão em coma.

Este é o coma fisiológico que pode nos roubar a vida, mas antes nos tira a consciência, apagando a nossa razão e o nosso entendimento. Mas, não é só o coma fisiológico que nos ameaça, levando-nos a vida. Há, também, uma forma que nos deixa vivos, mas, inertes, sem atitudes racionais, diferente da paralisia do coma fisiológico. É o coma social. Os dois, tanto o coma fisiológico quanto o coma social nos arrastam para a desgraça da vida. Só o tratamento, num e noutro caso, é diferente. No coma fisiológico, tratamo-lo com os recursos da ciência e miraculosas drogas farmacêuticas, numa luta, às vezes vitoriosa, reencontrando a nossa consciência e o nosso entendimento. Nessa luta contra a covardia da morte, às vezes, conseguimos "sair do coma", o que agradecemos ao avanço da ciência, às miraculosas drogas farmacêuticas e à competência e doação dos esculápios que não nos deixam morrer, adiando o dia de nossa última viagem para outros paramos desconhecidos.

Além dos vírus, dos parasitas e das bactérias orgânicas de que vivem a tuberculose, a lepra, o câncer, a aids, a hepatite, o diabetes e tantas outras doenças que podem nos levar ao como fisiológico, doenças outras como o analfabetismo, a exclusão social, a pobreza, a miséria, a fome, a injustiça são os dutos que nos levam ao coma social. A miséria, para citar apenas uma dessas causas, nos leva, irremediavelmente, ao coma social. Ficamos vivos, no entanto, não temos a consciência de nossos direitos fundamentais, tais sejam o trabalho que nos dignifica, a educação para os nossos filhos, assistência médico-hospitalar para a nossa família, moradia humilde, mas decente, fora da marginalidade social das palafitas e dos aterros sanitários, aonde gente, urubu e rato disputam o direito à vida, a segurança para não sermos vítimas inocentes das tragédias da violência e a LIBERDADE, a moldura aonde podemos guardar todos esses nossos direitos.

Não sairemos do coma social com a panacéia da esmola que, atualmente, se chama "bolsa", " vale" e outros engodos... Já estamos a caminho de um espetaculoso "programa social" com a nomenclatura de "bolsa-caixão", garantindo que o "de cujus" não ficará insepulto com a decomposição de seu corpo, em vida, sofrido e castigado, injustamente, pela miséria. O mendigo, um comatoso social, ganhou no vocabulário da demagogia da politicalha, um nome novo e bonito, sem tirá-lo do coma social em que vive. Chamam-no os calhordas, na dialética da mentira, de morador de rua. A desfaçatez dessa súcia tenta nos impingir que, como morador de rua, não precisa mais de uma residência decente, porque ele está sempre na rua e a rua é a sua casa, dopado nesse coma social.

A esmola ou bolsa não é um gesto de solidariedade nem de respeito à dignidade da pessoa a quem se engana dessa forma. Pode ser até um gesto de compadecimento daquele que a miséria deixou-o faminto e, consequentemente, instalou nele o coma social. Pode ser que a esmola mate a fome do faminto, mas não lhe tira a condição de miserável. Neste assunto, podemos juntar o menestrel Luiz Gonzaga, quando em uma de suas imorredouras canções nos deixaram estes primorosos versos: "...a esmola dada a um homem são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão".

Não podemos negar a ninguém e muito menos a nós mesmos, a grandeza de nosso país, reconhecendo-lhe a condição de grande NAÇÃO que somos, aviltando sua gente mais sofrida, atirando-a ao coma social da miséria que garante aos politiqueiros inescrupulosos um lugar certo na escada do poder. Não podemos ficar indiferentes ao que dizem o Deputado Delfim Neto, ex-Ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura, quase com uma cadeira cativa no Parlamento Nacional que "voto não é idealismo, voto é interesse econômico, juntando-se ao "falso beato" Rubens Ricupero, ex-Ministro da Fazenda que, apanhado pelos microfones da "Globo", afirmara "não tenho qualquer escrúpulo para mentir e enganar o Povo", ganhando com essa traição o lugar de "Embaixador do Brasil na República da Itália". Premiado na traição, pois, hoje, se premia a delação. JESUS CRISTO que se cuide, senão ELE vai para o lugar do Iscariotes... Pelo andor da carruagem, será o "vilão" e Judas, o "herói" da história...

Agora, nestes novos tempos, a comunidade internacional ficou estupefata com a afirmação cínica, não como ofensa, mas como uma deficiência da personalidade e do caráter, o deputado eleito por São Paulo, o maior Estado brasileiro e a terceira maior metrópole do mundo, o "estilista", eufemismo com que se chamam outros "cervos", Clodovil Hernandez, ao ser entrevistado como seria o seu "voto" na Câmara dos Deputados, respondeu ao repórter: "...o valor do meu voto está no meu bolso..." Mais algum comentário sobre o fato?!...

A resposta do futuro "parlamentar brasileiro" foi notícia e manchete nos grandes jornais e televisões do mundo, como referência de avaliação do Congresso Nacional.

Com a palavra a JUSTIÇA e o MINISTÉRIO PÚBLICO para saberem o que o "estilista-deputado" quis dizer. Sem uma resposta convincente, a sociedade já sabe quem a representa nesse polêmico e desacreditado CONGRESSO NACIONAL.

O coma social tira do cidadão o reconhecimento de seus direitos fundamentais, ditos acima, leva-o a aceitar nessa inconsciência, esse ultraje e esse desrespeito à sua pessoa e à sua dignidade que é a esmola, uma gangrena social, apresentada e oferecida pelo eufemismo de "bolsa", não sei quantas... O direito ao trabalho, à educação, à saúde, à moradia, à segurança e outros direitos estão todos escondidos e guardados na "bolsa da esmola"...

Mas, lembremo-nos das memoráveis lições que os nossos antepassados nos legaram e, dentre elas, o axioma do respeitável estadista, Abraham Lincoln: "Podemos enganar uma pessoa por todo tempo, podemos enganar algumas pessoas por algum tempo, mas não podemos enganar todas as pessoas por todo tempo".

"A esperança é a última que morre"... Não sei quem disse isso, mas sei que é uma lição de vida. Não deixemos que o coma social faça a defenestração de nossas esperanças... Edifiquemos uma sociedade menos injusta e mais solidária para bem sermos julgados pelos nossos pósteros.

Acreditemos em nossa Pátria e em sua grandeza, certos de que chegaremos ao merecido lugar que nos está reservado no concerto das nações do mundo. Precisamos ter... ou não temos BRIO NACIONAL?!

* Celso Coutinho - Advogado, Tabelião, Promotor de Justiça e Juiz de Direito, aprovado em terceiro lugar, em ambos os concursos e o único a não ser nomeado, dois mandatos de Prefeito de Guimarães, quatro mandatos de Deputado Estadual, Presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão e Jornalista colaborador - Reg. n° "43 - DRT-MA.

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