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Data de Publicação: 26 de novembro de 2006
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(Com textos do Livro A ÁGUIA LIBERTÁRIA, dos jornalistas Othelino Filho e Othelino Neto, a ser lançado em dezembro de 2006)

REFÉM DA DISPUTA ENTRE TECNOCRATAS DA POLÍTICA ECONÔMICA:

O Brasil dos excluídos vê o bonde do desenvolvimento passar...

Dispensam-se maiores esforços para que os economistas e os estudiosos das ciências sociais expliquem os vários brasis, habitando o mesmo território, separados por classes que se apresentam sociologicamente na forma de uma pirâmide: uma base encorpada por uma imensa quantidade de pessoas que vão se reduzindo na dimensão proporcional à sua capacidade de influência no processo decisório.

O item referente ao trabalho está há anos-luz de distância do direito social assegurado na Carta Magna, em relação à vida, de fato, da maioria dos brasileiros. O descompasso é ainda mais visível quando se confrontam as atribuições e responsabilidades subordinadas ao salário-mínimo obrigatório.

Não há estatísticas confiáveis informando em quantas situações a Constituição Federal é desrespeitada, somente com os milhões de brasileiros sem trabalho. Alguns jamais exerceram atividade remunerada e outros perderam o emprego na cidade e no campo. Somando-se aos subempregados, grande parcela deles em condições desumanas, esses conterrâneos compõem o extenso universo dos excluídos. Para o IBGE, 40 milhões; para outros institutos, 50 ou 60 milhões. População maior do que a de muitos países.

No cume, ficam as elites, inexpressivas quantitativamente, exuberantes em renda, para quem se direcionam a maioria das riquezas produzidas no País e as vantajosas oportunidades. Pelo meio, resiste uma classe média que já foi significativa, mas vem minguando com a perda contínua e crescente do poder aquisitivo. Em baixo, a multidão se multiplica, contaminada pela peste da miséria, filha da pobreza, produto da concentração de renda nas mãos da minoria. Como subproduto poderoso, que se fortalece cada vez mais nas fragilidades do tecido social, pontifica a criminalidade, dominando parte expressiva do território e infiltrando os seus tentáculos lá no pico, onde reinam os detentores do poder. Tais diversidades têm muitas determinantes e é óbvio que a abrangência é nacional, em menores ou maiores proporções regionais. O Nordeste sempre esteve entre as áreas renegadas, condenadas à pobreza absoluta. O Maranhão, a despeito dos seus exuberantes recursos naturais, nas últimas quatro décadas tornou-se o campeão da miséria. A relação causa e efeito é tão inquestionável quanto à exatidão da matemática. É, pois, sobre uma das inevitáveis conseqüências dessa exploração histórica que pretendemos nos reportar.

A questão do emprego no Estado tem que ser atacada com seriedade e não com medidas paliativas, como fez a dupla Jorge/Roseana Sarney Murad, em sua longa e tenebrosa permanência à frente da administração estadual. O arremedo de projeto que ela chamava de Primeiro Emprego não passava de um golpe de marketing para impressionar os mais incautos e com isto dar a impressão de que se preocupava com um tema de tamanha importância. Levado o tal projeto para a esfera federal, o fracasso foi o mesmo que se verificou no plano local. Não havia bases sólidas.

A primeira providência para que se assegure um lugar ao nosso jovem no mercado de trabalho é qualificá-lo convenientemente. Seja pela adoção de uma metodologia adequada ao ensino regular nos dias em que vivemos, seja pela massificação do ensino profissionalizante, oferecendo ferramentas atuais para quem busca uma ocupação. É consenso, hoje, que até para ser ascensorista em uma empresa de médio porte, o trabalhador precisa ter conhecimentos mínimos de informática. Sem essa preparação, não vai conseguir nem mesmo desincumbir-se a contento do ofício.

A grande proposta educacional de Roseana foi torrar milhões de reais em um projeto de teleensino, cujo formato representava dois grandes desastres: de um lado, em vez de conhecimentos, criava embaraços aos jovens no processo educativo. Do outro, condenava ao desemprego milhares de educadores, porque ao sistema bastava um instrutor polivalente, capaz de transmitir, ao mesmo tempo, conhecimentos que iam de química e português, a geografia, história e física. Não é de admirar que os estudantes submetidos à experiência tão esdrúxula, tenham sido obrigados a repetir o ano letivo inutilmente. Enquanto isso, mais da metade dos municípios maranhenses não contava com um único estabelecimento de nível secundário.

Mesmo lutando contra a escassez de recursos, em razão do endividamento deixado pela antecessora, Zé Reinaldo levou o ensino médio aos 217 municípios maranhenses. E mais: criou a universidade virtual abrangendo expressiva área no Estado; interiorizou a Uema, possibilitando aos jovens de cidades distantes o tão sonhado curso superior.

Militante de um partido identificado com a causa do trabalhador brasileiro, o governador eleito, Jackson Lago, terá, a partir de janeiro, dentre numerosas outras, a espinhosa missão de fomentar a criação de empregos, pela atração de empreendimentos que aqui queiram se implantar, aproveitando e conservando as riquezas naturais do Estado e a infra-estrutura já existente. O tempo das "sociedades" impostas pelo mandonismo já passou. Com o Governo democrático de Jackson que se anuncia, os investidores terão parceria no campo institucional, recebendo o apoio logístico necessário para que suas empresas tenham sucesso e, em troca, contribuam para o fortalecimento da nossa economia, sobretudo com a criação de sólidos empregos, viabilizando a distribuição justa de renda.

A era do faz-de-conta sucumbiu com a oligarquia!

** Prezados jornalistas Othelino Filho e Neto: Meus pais, Carlos e Sara Parra, além de mim, lemos com muito interesse A Oligarquia da Serpente e A Rapina do Abutre, que a amiga Paulina Vásquez, do curso de Pedagogia da PUC-Chile, nos emprestou. A exemplo de vocês, acreditamos que a Educação é de fato a grande fronteira da liberdade e da civilização. Parabéns e votos de que continuem alertando consciências. Daniela Parra - Viña Del Mar - Chile.

(othelinofilho@yahoo.com.br).

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