Relatório aponta violação ao direito à alimentaçãoDOENÇA MISTERIOSA
Um documento da organização não governamental Relatoria Nacional para os Direitos Humanos à Alimentação Adequada, Água e Terra Rural pede mais atenção para a população da região tocantina, no Maranhão.
O documento afirma que o quadro epidêmico (síndrome neurológica) que no ano passado afetou cerca de 230 pessoas, levando 38 a óbito, por conta da falta de vitamina B1 (diagnóstico oficial), representa apenas “a ponta de um iceberg” no tocante às violações do direito humano à alimentação e à saúde.
A ONG esteve visitando os municípios afetados “in loco”, em outubro passado, e coletou uma série de denúncias, que foram encaminhadas às diversas instâncias do poder público executivo federal, estadual e municipal, ao Ministério Público e aos conselhos nacional e estadual de segurança alimentar e nutricional.
Durante a visita, ficou constatado que o sistema de saúde da região tocantina, no que diz respeito ao atendimento aos pacientes que apresentaram o quadro sintomático da síndrome era insuficiente, o que acarretou o agravamento de muitos casos.
De acordo com o relatório, alguns pacientes, mesmo em estado grave, não conseguiram ser internados e ficaram várias horas deitados em bancos, em salas de espera dos serviços de saúde, recebendo tratamento para dor ou outros sintomas apresentados.
“Informações obtidas de afetados que sobreviveram, e de seus familiares, indicam que a maior parte dos afetados pela síndrome, apesar de haver melhorado, continua a apresentar seqüelas neurológicas, sem condições de trabalhar de forma regular, agravando a condição econômica das famílias”, diz o relatório.
Outras pessoas relataram, ainda, que receberam medicamento no primeiro mês do tratamento, mas, no entanto, o tratamento não foi continuado, pois, desde o final do mês de agosto, a tiamina (suplemento vitamínico utilizado pelas autoridades sanitárias para combater a síndrome neurológica) havia se esgotado no sistema de saúde.
O trabalho acrescenta que relatos esparsos apontam “para um quadro de pobreza, monotonia alimentar (alimentação baseada quase exclusivamente em arroz polido), desemprego, subemprego, trabalho sazonal agrícola exaustivo (roça, carvoarias etc.) e utilização excessiva de agro-químicos sem nenhum tipo de proteção”.
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